Não faço ideia da magnitude do conceito de "Saúde Básica" aplicado como uma das bases de atuação do SUS (Sistema Único de Saúde). Como progressista, entendo ser uma ação de dignidade mínima que se aplica de forma universal e é oferecida à população.
Como toda ação progressista, está baseada provavelmente na utopia de atender a comunidade com a melhor qualidade que os impostos cobrados possam garantir.
No meu caso específico, em que passei a ser usuário do Sistema após longo período assistido pelos serviços de saúde privados, surpreendi-me com o tamanho da expectativa de atendimento da UBS à qual estou regionalmente ligado. A qualidade do atendimento, no conceito "Clínica da Família", com a qual fui agraciado nestes últimos tempos, me fez ponderar e verbalizar a vontade que me aflorou de trabalhar de forma voluntária para o sucesso desta empreitada.
Foi-me sugerido pensar numa forma de viabilizar a formação de um grupo de homens, imagino que também voluntários, para falarem de saúde básica. Não sei o que isto significa exatamente. Só percebi o objetivo de propiciar à seção da UBS em que estou inscrito mais um serviço à disposição da população atendida. Seria aplicar os conceitos de abrangência e de profundidade da expectativa de melhorar a qualidade de vida e, consequentemente, a saúde desta população?
Já sabia que existem outros grupos atuando nesta mesma direção, além dos Agentes de Saúde, que desenvolvem um processo intenso de penetração na comunidade para disseminar a atenção básica de saúde, maximizando a prevenção. Por exemplo, há pouco tempo, deparei-me com uma ação de um grupo que realiza sessões de exercícios físicos na praça em que pratico os meus.
Quantos grupos mais existem? Quais "ferramentas" de coesão eles usam? Existe um processo de aferição de resultados ou esperamos o resultado nas leituras das estatísticas universais e distantes da realidade regional? Qual penetrabilidade está associada à ação destes grupos? Praticamos alguma pesquisa com grupos específicos?
Quão revolucionário pode ser um trabalho bem planejado e organizado? Quão efetivo pode ser em termos de aumento da prevenção com redução de custos associados à emergência ou urgência?
Estou disposto e cada vez mais entusiasmado com uma possível atuação no processo de gerenciamento do planejamento deste projeto grandioso baseado na utopia progressista que incorporo.
Daí imagino: Quanta competência disponível e não utilizada está acumulada neste Brasil afora?
Nem sei ainda como endereçar esta crônica a pessoas com poder de decisão para aprovar a minha adesão voluntária. Mas, como diria Millôr Fernandes: "Livre pensar! É só pensar!!!"
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O Arquétipo do "Converso": A força motriz do texto reside na jornada do narrador. Você constrói a figura do cidadão que migra do setor privado para o público carregado de ceticismo (ou desconhecimento), e é surpreendido pela eficiência. Literariamente, isso cria uma conexão imediata com o leitor, pois quebra preconceitos comuns. A honestidade em admitir "não faço ideia da magnitude" gera empatia.
ResponderExcluirA Utopia Pragmática: Você utiliza a palavra "utopia" de forma interessante. Normalmente associada ao inatingível, aqui ela é usada como "norte moral" (a melhor qualidade que os impostos podem pagar). O texto brilha ao contrastar essa utopia progressista com a realidade concreta (a surpresa positiva com a Clínica da Família).
A Urgência Retórica: O segundo parágrafo, repleto de perguntas ("Quantos grupos mais existem?", "Quais ferramentas...?"), funciona como uma aceleração do ritmo. Isso demonstra literariamente a ansiedade do narrador: ele não quer apenas observar, ele quer fazer, e a mente dele está fervilhando de ideias. Essa sequência transmite entusiasmo genuíno.
O autor compartilha seu entusiasmo pessoal ao descobrir a eficácia do Sistema Único de Saúde (SUS) após transitar do setor privado para o atendimento público. Ele destaca a estratégia da Saúde da Família como um modelo de dignidade e qualidade, expressando o desejo profundo de contribuir como voluntário na gestão de projetos comunitários. O texto propõe a criação de grupos masculinos voltados à prevenção de doenças, visando aumentar a conscientização e melhorar os índices de bem-estar regional. Questionando como mobilizar as competências subutilizadas da sociedade brasileira, o cronista defende que o planejamento organizado pode ser revolucionário para a saúde pública. Essa reflexão busca transformar a utopia progressista em ações concretas que reduzam custos emergenciais e fortaleçam os laços sociais locais.
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