O ser humano, por definição, precisa dispor de elementos básicos para existir:
Oxigênio, para respirar;Moradia, para se proteger;Alimentação, para sobre-existir;Ancestralidade, para desenvolver, baseado em experiências, métodos de sobrevivência;Comunidade, para consolidar força e conhecimento, vencer desafios naturais e alcançar o progresso individual e coletivo.
O desempenho pessoal em desenvolver métodos diferenciados
que aceleram o progresso gera merecimento quando disponibilizado para
comunidade. Este mérito gera liderança e esta liderança se desdobra em
influencia a qual precisa ser transformada em ação política que beneficie a
toda comunidade.
A miséria, entendida como a falta generalizada de
recursos e oportunidades bem como o acumulo exacerbado de
riquezas são ambos igualmente danosos e portando devem ser evitados.
O sucesso individual não pode ser demonizado do mesmo modo
que a miséria não pode ser normalizada.
A função social do acumulo de riqueza é exigida pelo
pagamento de impostos que garantem a manutenção de uma linha básica de
dignidade para toda a comunidade. Isto significa garantir um nível civilizado
de coexistência digna e humanitária onde todos tenham direito garantido à
moradia, alimentação, saúde, educação, trabalho e segurança.
Confesso que não consigo entender e daí, aceitar o
posicionamento dos que se auto intitulam Conservadores, numa sociedade tão desigual como a brasileira. Considerando que por definição o posicionamento politico dito "Conservador" significa:
"Politicamente, apregoam valorizar e defender a
manutenção de valores sociais e tradições estabelecidas, como a família, a
religião e os costumes, opondo-se a mudanças sociais rápidas ou rupturas
drásticas. Tendem a advogar por uma mudança social gradual e cautelosa, que
preserve a estabilidade das instituições e da ordem social."
A titulo de salvaguardar o possível debate que se propõe, reconheço que ambos os campos apresentam nuances que apresentam variações do mais filosófico ao mais fanático. Prefiro manter uma visão mais generalista e homogênea afastando veementemente os descalabros do fanatismo característicos, presentes em ambas as linhas de pensamento.
Quando o diagnostico está definido urge que o remédio seja aplicado, ajustado à capacidade de tratamento. Normalizar o mal estar é sentenciar o colapso. Como diria Hannah Arendt seria "Banalizar o mal"
Romantizar a favela, adjetivar como empreendorismo o regime
de semiescravidão dos entregadores de aplicativos é parte do processo de
normalização da insensibilidade social.
No Brasil, ser conservador significa, essencialmente, ter uma inclinação para a preservação da conjuntura e dos valores estabelecidos, cujos resultados práticos, são a perpetuação desta conjuntura indigna e precária. Ao opor-se a mudanças mais profundas e defender uma evolução social lenta e controlada, acaba por normalizar e tolerar passivamente realidades como as favelas, a fome, a violência, e tantas outras mazelas, ainda que essa não seja a intenção declarada. Essa postura, na prática, aproxima-se de um reacionarismo moralista e autoritário que, ao idealizar o passado, impede os avanços civilizatórios urgentes.
