No calor das disputas eleitorais e mesmo depois, no desenrolar da convivência democrática que sucede ao resultado das urnas, torna-se muito comum o emprego apaixonado de algumas palavras de ordem que de forma corriqueira se vulgarizam e na maioria das vezes sem que se entenda claramente o sentido da utilização daquele termo ou expressão.
A palavra Comunismo por exemplo é historicamente utilizada e empregada como uma "ameaça constante" atrelada às forças de esquerda. Mais recentemente passaram a repetir uma expressão Intervenção Federal como uma "solução plausível" para atender o descontentamento desse grupo em relação ao resultado eleitoral.
Em ambos os casos uma analise simples, do significado de tais palavras ou expressão, não encontrará qualquer sentido no emprego destas nos contexto que são usadas.
O comunismo não é uma bandeira defendida pelos partidos progressistas de esquerda. Esta experiencia não foi bem sucedida onde foi aplicada e sempre resultou em ditaduras que por si só são execráveis. Progressistas defendem o progresso das relações humanas na convivência democrática e civilizada entre as classes sociais. A "luta" concentra-se basicamente na busca por justiça social e contra a desigualdade na distribuição de riquezas e renda.
A expressão Intervenção Federal que vivia sendo solicitada às nossas Forças Armadas, não é uma atitude constitucionalmente suportada pois não consta na lista de atribuições das instituições militares no nosso regime democrático. Portanto uma expressão sem sentido lógico. Provavelmente as pessoas não sabiam que na realidade estavam solicitando a implantação de um golpe militar que resultaria naturalmente em uma ditadura posto que esta solicitação ilegal e criminosa seria utilizada para desconsiderar o resultado de uma consulta eleitoral que é base do regime democrático. Se sabiam destas implicações, também sabem hoje que estavam cometendo um crime. Num regime democrático os crimes têm de ser tratados conforme o devido processo legal que responsabiliza os culpados.
Mas não podemos parar a analise limitando-nos a criticar o deslize fanático. Nesta história toda, existe uma intenção e um método.
Nos dois casos citados o que realmente ocorre não é simplesmente uma reação apaixonada de minorias descontentes. Em realidade isto tudo é mais uma ação de tentativa de dominação da população por uma pequena minoria endinheirada que se perpetua no poder desde as primeiras ocupações do território indígena, encontrado pelos portugueses, que chamamos Brasil. Esta turma age como se fosse "dona da terra", e acredita que em assim sendo pode determinar o que pode acontecer em sua pretensa "propriedade", no velho estilo - "aqui, mando eu!"
Nos primórdios utilizaram os jesuítas para "domesticar" os "selvagens" usando toda a sorte de selvagerias preconizadas pelo "método civilizado", que no caso especifico prescrevia inclusive a eliminação dos resistentes. Considerando que a resistência indígena optou por evadir-se e embrenhar-se na mata virgem, a solução "civilizada" foi "importar mão de obra escrava" nos confins da Africa distante. Desde então o que se vê é o domínio secular da população que fornece mão de obra para o enriquecimento de uma minoria que concentra riqueza e o poder que esta riqueza proporciona, resultando daí uma sociedade absurda e criminosamente desigual.
Os métodos, estratégias e planos de dominação evoluíram desde os jesuítas mas na base o objetivo é o mesmo de sempre - dominação e controle.
Em contra partida, florescer e consolidar no meio da população um pensamento crítico é entendido como uma ameaça subversiva.
O controle sobre o que as pessoas veem, ouvem e leem é uma estratégia usada desde o principio e como hoje não se consegue garantir o controle completo, implanta-se então a duvida através da difusão de mentiras, de narrativas fraudulentas e da disseminação de "teorias da conspiração" que induzem realidades paralelas e em alguns casos, apocalíticas.
Na area do conservadorismo religioso aliciam os "pastores" implanta-se o conceito de conformismo pecaminoso onde a população de fiéis é classificada como "pecadores" portanto culpados pela situação de vida, e esta minoria endinheirada que tomou posse da terra, se coloca como "os escolhidos". Manipulam os "valores morais" e impõem um código de conduta imoral, antiético e sobretudo anti cristão que se caracteriza pela intolerância e desconfiança generalizadas.
Esta minoria tenta de tudo para manter o controle por que são covardes. Eles têm um medo mortal de perder o seu padrão de luxuria e ganancia e sabem que do desenvolvimento de um pensamento crítico na população, surgirá minimamente a consciência da necessidade de convivência social com dignidade humana. Por isso lutam abertamente contra a educação (que ajuda a esclarecer) e as manifestações culturais da população (que desenvolve uma identidade).
Considerando que o Estado é, em síntese, a formalização do conjunto de meios definidos pela Constituição Federal para gerenciar a Nação, a igualdade de condições mínimas e básicas, preconizadas nesta Constituição, precisa ser providenciada e disponibilizada para o total da população com um mínimo de dignidade humana. Nenhum grupo pode ser privilegiado nem determinar o gerenciamento do Estado.
Não existem castas em nossa sociedade. Viver sob o Imperio das Leis, não pode ser tratado como uma utopia inatingível.
Reconstruir o Brasil, passa forçosamente pela restauração da legalidade. A assepsia necessária no Congresso Nacional será a recompensa imediata de uma sociedade com consciência de classe.