O sufixo "ismo". quando adicionado a uma palavra ou um nome próprio, cria uma nova palavra que pode nomear uma
ideologia, uma doutrina, um sistema, mesmo uma doença, ou seja, esta nova palavra agrega um conjunto de
características. relacionadas à palavra que recebeu o sufixo. Vários exemplos comuns: Marxismo, Budismo, Capitalismo,
Comunismo, Alcoolismo, etc., cada uma destas palavras citadas traduz um conjunto de características relacionado com a palavra original.
Simplificando a análise, estou satisfeito com a definição de
que este sufixo adiciona o sentido de agregar um conjunto de características
próprias do substantivo ou nome próprio ao qual o sufixo foi adicionado. Assim
Marxismo indica uma coletânea de teorias filosóficas, econômicas e
políticas, formuladas por Karl Marx, Capitalismo indica um conjunto de teorias
econômicas que maximiza o lucro e o acumulo de capital, Alcoolismo é uma doença
caracterizada por uma grupo de sintomas causados pela perda de controle no consumo de álcool e assim por diante.
Sempre que se deparar com um destes "neologismos", relacionados com um nome próprio, tente
encontrar as características que fizeram concentrar a atenção de
seguidores ou adeptos, ao ponto de se distanciarem do modo comum e inaugurarem uma
nova maneira de ser, de pensar, de agir, de sentir ou seja, uma nova maneira de viver.
Mais recentemente, no Brasil, passamos a ouvir com alguma
frequência um novo termo - o bolsonarismo! Um novo termo sugere que o personagem introduziu um novo modelo de atuação pública que agregou adeptos e seguidores. De imediato pus-me a tentar encontrar quais características esse novo termo congrega.
O caminho mais fácil
foi tentar encontrar quais valores estão evidenciados na trajetória pública e divulgada deste personagem que emprestou o seu nome ao neologismo recente e quais expectativas de realização ficaram definidas ao longo
de sua caminhada.
Ao analisar os fatos divulgados pela imprensa relacionados à trajetória do personagem verifica-se ser uma
pessoa de origem simples que ingressou no Exército brasileiro e conseguiu
encetar uma carreira militar, alcançando a patente de tenente. mas esta carreira foi abruptamente interrompida por problemas de
comportamento corporativo, quando foi acusado de planejar explodir bombas em
quarteis para reivindicar melhoras no soldo militar. Foi condenado como um
"mau militar com excesso de ambição" e expulso, depois a pena de
expulsão foi convertida para o encaminhamento para a reserva
remunerada.
Deve ter deixado simpatizantes nos quarteis e adjacências
pois em seguida foi eleito vereador no Rio de Janeiro e logo depois, Deputado Federal e assim permaneceu por quase trinta anos.
Ao longo desta
trajetória ficou marcado pela defesa da ditadura militar e de seus métodos de "persuasão", pela insignificância
parlamentar, pela truculência e pelas denúncias de desvios de dinheiro público
e processos judiciais. Na pratica ocupou-se, paralelamente, em construir um considerável patrimônio
(segundo os críticos, não compatível com seus vencimentos como deputado) e
também neste período inicializou os familiares, com as mesmas práticas na política
eleitoral.
Adeptos ou seguidores, elegem um modelo a seguir baseados numa convergência de pontos de vista, desejos, expectativas e aceitação de métodos e rituais.
Com este perfil tão distante do contexto ético e civilizado
ou ainda, em uma linguagem mais clara, um perfil tão mau caráter,
não consigo entender como um número significativo de pessoas se deixou seduzir.
Acredito que podemos supor que um grupo realmente
reconhece-se nestas praticas. Ressentidos encontram um ambiente propicio para
destilar os seus fracassos.
Porém um grupo grande, provavelmente o maior, se deixou
envolver por falsas interpretações, falsas notícias, falsas expectativas. Como o objetivo é aumentar a audiência, o processo de arregimentação de adeptos, falha nos critérios éticos, age sem escrúpulos e prima por processos de
divulgação de desinformações e disseminação de mentiras convenientes. O método
de adesão utilizado é por convicção induzida pela manipulação da
realidade.
Tenho pena destes últimos.
A manipulação começa com a difusão da ameaça de
implementação do "comunismo" que por sua vez é descrito como o
conjunto de tudo que não presta (Proibição da religião, distorção de costumes tradicionais,
corrupção, imposição da pobreza, etc.) e logicamente complementam acusando os
opositores como responsáveis por este perigo fantasioso. Aqui surge um outro
fator de manipulação - A disseminação do sentimento de antipetismo que
surgiu patrocinado pela mídia e amplamente difundido na época da operação
lava-jato. Operação esta que teve seus processos judiciais anulados por incompetência e suspeição do juiz e que hoje é reconhecida pela destruição da Industria de Construção Industrial brasileira.
Agregam ainda um outro fator de manipulação - A luta antissistema muito
difundida com base na campanha difamatória da mesma operação Lava-Jato, que classificava todo político como corrupto. Apresentam-se como "fora do sistema" mesmo considerando a longa história percorrida nos quase trinta anos de politica eleitoral. Também manipulam quando adotam uma pretensa defesa de valores conservadores notadamente no contexto Deus, Pátria e Família, quando os fatos públicos divulgados dão evidencias de completo descompasso com o slogan conservador.
Toda esta manipulação foi possível a partir da demonização
da imprensa tradicional e a maximização da criação das
"bolhas" nas redes sociais, que funcionam como câmaras de eco que
reproduzem todo o processo de desinformação e são transformadas nas únicas fontes
de informação confiáveis.
A manipulação visa a anulação do senso crítico e
maximiza a celebração e entronização de salvadores da pátria.
Chega a ser decepcionante perceber que uma parcela
significativa da população mais desassistida engorda as fileiras desta
verdadeira "seita".
Torna-se preponderante que nos ocupemos a
difundir a verdade evidenciando a realidade fática. Esta tarefa é árdua pois a
primeira fase do processo de recuperação passa pelo reconhecimento da condição
de vítima de manipulação e neste momento de recuperação da saude mental, qualquer um reage quando se descobre fazendo o papel
de bobo. Uns desabafam e publicitam os seus arrependimentos outros se retraem e se encapsulam em seus lutos.
Em relação àqueles que se identificam com o modus operandi, estes não têm recuperação. Retornarão às sombras. Assim aconteceu com as viúvas da ditadura em 1985.
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