quinta-feira, 26 de março de 2020

Barão de Itararé, atual como nunca!

Não entendo porque as pessoas comuns dão tanta ênfase a declarações de determinadas personalidades consideradas "celebridades" no nosso ambiente de mídias sociais. 

Considerando a desigualdade social que por séculos vivemos.
Considerando também que na busca para sobreviver ou adaptar-se a esta desigualdade o povão desenvolveu um processo de busca insana por privilégios na expectativa de "levar uma vantagem" em relação aos demais. Isto gera uma animosidade "harmoniosa" ou um processo de "coexistência pacifica" entre os iguais. Isto determina no meu entender, ao menos duas verdades absolutas e graves, também igualmente deploráveis:

Primeira Verdade - As pessoas assumem uma postura egoísta em relação ao desenvolvimento da sua própria vida, sem qualquer grau de preocupação com a vida do próximo. Isto gera o estado de miséria que atinge uma grande parcela da população e como não existe qualquer preocupação com a qualidade de vida do próximo, esta falta de dignidade humana passa a ser aceita como normalidade. Neste ambiente os mais espertos viram "Celebridades".

Segunda Verdade - Em função desta postura assumida, as pessoas não se dão conta que isto lhes retira o mais precioso bem que a vida nos concede que é a liberdade de conviver em sociedade e de unir-se aos iguais para o crescimento do todo. Quando isto for tentado então entenderemos a máxima que repete - "O povo unido, jamais será vencido!"

Voltando à dúvida inicial, agora consciente destas verdades, entenderemos que as tais "celebridades" como fruto desta postura sabem que para sobreviverem como "celebridade" precisam que seja mantida esta postura que desintegra a sociedade. 

Parafraseando o Barão de Itararé, "de onde menos se espera, é daí que nada sai mesmo!"  

Assumindo este raciocínio de análise de valor crítico, entende-se facilmente as declarações daquelas "celebridades" que na realidade, estão preocupadas é com o grau de organização que um fator invisível gerou na sociedade a partir do exercício do mais primitivo instinto que é o da sobrevivência como ser humano. Todos estão lutando para sobreviver. A união se deu com a isolação. 

O vírus arregaçou a "estabilidade" nefasta e balançou os alicerces da sociedade. Para desespero dos "poderosos".

Eles estão com medo!
Os Panelaços ligaram o alarme!
A casa vai cair!

Enquanto isto, resta-nos entender que o desespero destas tais "celebridades" representa a força que o povo tem quando organizado e mobilizado. 

O momento é de Reflexão. É hora de pensar o tempo pós-corona!!! A vida será outra!!!!

Por enquanto, acho que podemos relembrar mais algumas máximas do Barão de Itararé



"O banco é uma instituição que empresta dinheiro à gente se a gente apresentar provas suficientes de que não precisa de dinheiro."

"Negociata é um bom negócio para o qual não fomos convidados."

"Sábio é o homem que chega a ter consciência da sua ignorância."

"A televisão é a maior maravilha da ciência a serviço da imbecilidade humana."

"Tempo é dinheiro. Paguemos, portanto, as nossas dívidas com o tempo."

"A moral dos políticos é como elevador: sobe e desce. Mas em geral enguiça por falta de energia, ou então não funciona definitivamente, deixando desesperados os infelizes que confiam nele"

"O voto deve ser rigorosamente secreto. Só assim, afinal, o eleitor não terá vergonha de votar no seu candidato"

"Este mundo é redondo, mas está ficando muito chato."


"Tudo é relativo: o tempo que dura um minuto depende de que lado da porta do banheiro você está."
Quer conhecer a biografia do Barão de Itararé?





Uma certa amiga maluca

Lá se vão alguns quarenta e tantos anos. Tempos de adolescência, de paixões, de decisões precipitadas, de indecisões, tempos de pressa, muita pressa. A ansiedade natural deste tempo parecia nos dizer que tudo poderia "acabar" daqui a pouco e a ideia básica era aproveitar (experimentar). A turma de amigos, aliás a Patota, sempre muito grande e diversa e na maioria das vezes frequentando os mesmos programas. Encontrar a patota nos points era fácil. Belos tempos, belos dias!

Mas aí veio a Vida! 

Vestibular, turma da escola, provas sem fim, mais tarde estagio, namorada firme, formatura, emprego (Deus sabe onde), casamento, compra do apartamento, do carro, prestações, filhos e quando nos damos conta, a vida tomou conta de nós e definiu horizontes.

Como que num freio de arrumação, uma música ou um filme ou uma viagem nos faz lembrar daquelas tardes de domingo, tardes de sábados. Tardes e noites de todos os dias da semana.

 E daí chegam à mente as perguntas do tipo: Onde estará Fulano? Que fim levou aquela menina gostosona? Por onde anda o meu primeiro Amor? Consultas aos irmãos que também faziam parte da patota e as informações são no mínimo desencontradas. Nada muito seguro. O que sei é que bate uma saudade danada e imediatamente após, como uma explosão de ansiedade juvenil passamos a avaliar o nosso roteiro de vida na expectativa de encontrar as justificativas por tamanho desencontro, tamanho desencanto. Algumas vezes ainda bate aquela sensação horrível do E se?

No meio desse devaneio, um filho bate à porta, adentra o ambiente e faz um comentário qualquer sobre a política atual ou mesmo sobre o próximo jogo de futebol do nosso time. Desperto do sonho que tive acordado. Tempo bom!

A vida agora é mais tranquila, mais previsível, muita coisa acontecendo, mas numa marcha mais lenta, mais previsível. 

As ferramentas disponíveis na tecnologia de informações me atiçam a vontade de pesquisar o paradeiro de algumas pessoas mais queridas e eis que como que num passe de mágica começo a descobrir paradeiros estranhos e nunca antes imaginados, começo a descobrir pessoas ao redor do mundo e imagino que tipo de situação levou a "minha patota" para tantos destinos distantes.

Começo então a descobrir "personalidades" que jamais imaginei pudessem ter saído daquela patota. Aquela menininha calada, pacata agora era uma agitadora defendendo causas tão aguerridamente decidida que não fosse o bom humor e o sarcasmo característico não reconheceria como se ela fosse.
Encontrei aquele velho amigo inteligente e gozador, agora avô de um sem número de netos procurando algo para preencher o tempo, numa vida pra lá de previsível, num ambiente gelado do norte das Américas.
Encontrei pessoas nos quatro cantos do mundo. A morena bonita que hoje é matrona, na Itália. A pirigueti que hoje é madame, na Alemanha, o colega engenheiro que vive de mochila e bicicleta nas montanhas da Ásia vivendo um ano sabático. Um outro colega que ainda trabalha, na Alemanha. Aqui no Brasil, descobri alguns. Uns ainda na terrinha sem muitas mudanças significativas além da idade avançada e uma vasta coleção de histórias. 

Outros tantos, pelo pais afora. 
Um vivendo o estilo paulistano, mas tão paulistano que até votou no PSDB, outros mais tranquilos vivendo aqui perto de mim no Rio de Janeiro.

Mas ainda faltam muitos que gostaria muito de encontrar!

Com uns poucos enredei, via redes sociais, um novo acompanhamento á distância. Para minha surpresa e grande satisfação encontrei em Portugal/Sintra uma menininha tímida e caladona que sempre gostei muito. Descobri que esta moça desenvolveu um espirito brincalhão, crítico e gozador com postagens inteligentes e às vezes tão desaforadas, que às vezes chegam às raias da loucura, no melhor estilo baiano! 

O interessante disto tudo é que quando encontrei alguns poucos amigos da patota, ao contrário daquele "sonho acordado" após aquele freio de arrumação na memória, não sentimos necessidade de conversar sobre os "Como", os "Porquê" e os "Pra quê"! Começamos uma nova fase desta nossa vida em "patota" agora eletrônica  aproveitando tão somente a postagem publicada! com alguns "Curtir", "Comentar" e/ou
"Compartilhar".

Vida que passa!!!!
   









 

quarta-feira, 25 de março de 2020

Quem é que manda aqui!

Confesso que me encontro numa situação absolutamente intranquila. As coisas que estão acontecendo no nosso país me deixam bastante preocupado. Eu não consigo entender como que pessoas bem sucedidas, serias, maduras, preparadas, ilustradas. letradas, alguns até brilhantes, conseguem defender este "estado de coisas". Na ditadura falava-se em "fazer crescer o bolo para depois repartir" hoje a retórica é "se a economia estiver bem todos estarão bem". 

Em alguns momentos na análise da situação, chego até a imaginar a possibilidade de estar confuso em relação as minhas convicções, entretanto como essas convicções são fruto de princípios e valores éticos firmes me convenço que a "confusão" na análise não está nas minhas verdades primeiras e chego à conclusão de que algo muito forte, aconteceu e ainda está acontecendo. Senão vejamos.

Observando os métodos que esta vida moderna nos têm impingido, com uma avalanche de informações disponíveis, sem a necessária preocupação de mostrar o contraditório, percebo a possibilidade de isso ter gerado uma visão errada em relação ao desenvolvimento dos fatos. Passamos a viver superalimentados de notícias e na maioria das vezes não temos tempo de analisá-las. A onda tsunamica de informações impede uma parada para reflexão e verificação "dos porquês" e "os para que". Como se estivéssemos sendo empurrados para um abismo! "Paramos de pensar" passamos a "surfar a onda do momento". Estamos perdendo aos poucos a necessidade de fixar "os pés no chão" e esperar a "onda passar" 

Corroborando essa analise eu relembro que a grande mídia exerceu um papel sectário ao longo desses últimos 30/40 anos. Período em que saímos de uma Ditadura Militar e passamos a viver uma fase de elaboração constituinte e posterior promulgação de uma nova Constituição. Verificamos que a grande mídia acomodou suas linhas editoriais às mudanças na orientação política vigentes em cada período. Contrariando, por definição, o espirito de isenção político partidário que deve nortear o desempenho da imprensa livre. Cita-se amiúde o caso de um determinado grupo da grande mídia que emitiu um editorial que apoiava a ditadura militar e algum tempo depois de revertida a ditadura, publica um novo editorial que nega o anterior. Este é um ponto importante na elaboração da análise. 

Por outro lado, se prestarmos atenção aos fatos históricos, numa analise leiga pois não detenho o rigor acadêmico de um historiador, verificamos que nunca no nosso país tivemos uma orientação social progressista estabelecida no governo até a ascensão do Partido dos Trabalhadores. Houve um período de governo populista com alguma conotação social no período de Getúlio Vargas. 
O que sempre nos guiou como política de Estado, desde a época da extração do Pau Brasil, foi a preocupação maior de dar satisfação ao "humor empresarial" da elite econômica. Este "humor empresarial" sempre que contrariado, impôs movimentos revolucionistas que caracterizam a nossa história desde sempre. A proclamação da república, como consequência da Abolição da Escravatura é um exemplo claro.
Chego a ousar definir que nunca fomos um país de verdade senão um aglomerado de "negocistas" buscando satisfazer seus lucros, seja com a extração do Pau Brasil, seja com a extração do ouro, seja com a produção e exportação de açúcar, café, cacau, minério de ferro, soja e por aí vai. 
Ou seja, nunca fomos uma nação! Sempre fomos um "ajuntamento negocial" regido pela ganancia extrativista de uma minoria endinheirada que se julga dona desta imensa fazenda chamada Brasil. Talvez isto até explique porque conseguimos permanecer uno e não segmentado como a América Espanhola. 

Voltando aos dias atuais, podemos garantir que esta mesma elite econômica continua a exercer este papel hoje de uma forma mais organizada e garantida pelo processo de "rentismo" estabelecido e praticado com a maestria de um "apartheid" econômico com graves consequências sociais a começar pela brutal desigualdade de riqueza e renda. 

Com a promulgação da nova Constituição e posteriormente a ascensão do Partido dos Trabalhadores ao poder, a grande mídia que é parte desta elite econômica, durante estes vinte últimos anos iniciou um processo de lavagem cerebral influenciando a sedimentação no inconsciente coletivo da grande massa de eleitores pelo Brasil afora, de uma espécie de revolta contra o poder constituído e legitimado pelo voto. com o objetivo de fazer voltar a valer o "teatro" que foi a nossa "estrutura institucional" nas mãos de "políticos confiáveis". 
Claro que a falta de correção no trato do dinheiro público deu margem a campanhas de difamação generalizada da classe Política, o que por princípio é falso e inapropriado.
Foram novelas, casos especiais, noticiário inflamado sem direito ao contraditório, programas humorísticos com personagens emblemáticos etc. etc.

Nos primeiros anos, como consequência dos bons resultados apresentados pelos programas sociais, pelos resultados na economia, na geração de emprego, este estratagema não apresentou grandes resultados. Mas a semente da insatisfação estava lançada. 


A classe média acostumada aos privilégios e "saídas" elitistas para driblar a catastrófica desigualdade social não absorveu o crescimento significativo da qualidade de vida de brasileiros pobres que passaram a ter uma vida mais digna, e com possibilidades de crescimento social que lhes deu acesso a um sem número de "nichos" que a classe média assumia ser de seu uso exclusivo. 
Assim, num processo de "reparação histórica" a Universidade, agora renovada em número e qualidade, passa a receber um número significativo de oriundos das escolas públicas e afrodescendentes fruto de uma decisão política de estabelecimento de cotas de acesso.
Com a "estabilidade" no nível de emprego, função da retomada da indústria de óleo e gás, que refletiu em um sem número de segmentos industriais como a indústria naval, a indústria de construção e montagem, a indústria de construção civil, a indústria metalomecânica e outras tantas, esta "mudança" gerou um crescimento do poder aquisitivo de uma parcela significativa da população que agora podia usufruir de uma condição de vida que lhes garantia acesso a diversos nichos, antes privilegio da classe média, por exemplo os planos de assistência medica, planejamento de lazer e turismo, aquisição de moradia em regiões mais nobres das grandes cidades, etc., etc. Esta nova situação, gerou uma insatisfação muito grande na classe média que em algumas reações chegou a publicar na internet pérolas como: "Aeroporto agora está pior que rodoviária!" Mal-acostumados que estavam e então tinham que lidar com pessoas mais humildes em Aeroportos, restaurantes grã-finos, salas de teatro, aviões em viagem ao exterior, e por aí vai. "Este quadro de coisas não pode ficar assim!" Diziam. Isto tem que mudar! Pensavam. Assim posto, partiram para a Ação. 

Apesar dos ventos promissores que também lhes sopravam, a classe média passou a engrossar as fileiras da Elite Econômica que não descansara em retomar para as mãos da ”direita servil" o comando do poder que tinha sido açambarcado pelo o que eles chamam de "esquerda asquerosa".
Não tiveram sucesso com as eleições em 2014. Precisaram transformar em crime de responsabilidade, uma atitude contábil largamente utilizada por antecessores, sem falar no bloqueio parlamentar imposto por conhecidos delinquentes travestidos de políticos, que apostaram no "quanto pior, melhor” e que resultou na destituição da Presidente eleita com 54 milhões de votos
Percebe-se aqui, "a olho nu", que a vontade do povo não é uma variável importante, neste tipo de análise golpista! 

Mais uma vez a elite econômica mal-humorada e contrariada em suas expectativas de vassalagem prepara-se para dar "mais um bote" nesta pobre republiqueta de bananas. Usando a insatisfação da classe média aristocrática e boçal e com a ajuda da grande mídia passaram a dar ênfase exacerbada a uma conduta perversa e plenamente normatizada em nossa cultura que é a corrupção. A mídia quase nos fez acreditar que esta macula era uma criação das esquerdas progressistas, esqueceram como que num passe de mágica todas as narrativas escandalosas dos eventos medonhos de corrupção ao longo de nossa história "republicana". Conseguiram imputar ao líder dessa fase progressista a alcunha de "ladrão" mesmo que nenhuma prova tenha sido apresentada, impuseram-lhe uma pena de reclusão eleitoralmente oportunista sob a alegação que o aparato judicial tinha convicções da pratica corrupta do acusado. Uma Balela! O mundo inteiro se posicionou com censuras ao processo, e apoio ao acusado.

A elite econômica conseguiu! As rédeas foram retomadas! A vassalagem foi restabelecida. Os pesadelos geopolíticos da matriz estavam afastados! A tarefa agora seria "limpar" os efeitos progressistas sobre a estrutura de poder e mostrar ao povo de maneira clara,

                                 
Quem é que manda aqui! 


PS.: Acidente de percurso. O Coronavirus acelerou a necessidade de dar um "chega pra lá" no palhaço que a Elite Econômica colocou lá no primeiro papel
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