Atualidade! Não sou um especialista em etimologia, conhecedor da origem das palavras, mas não resisto a tentar
esmiuçar a formação da palavra Atualidade.
Provavelmente está formada a partir
do adjetivo ATUAL mais o sufixo IDADE.
Me satisfaço por entender coerente e
lógica a clareza que a análise me colocou sobre o significado da palavra.
Assim, Atual - Qualidade de
algo que está ocorrendo + Idade - o que tem a ver com o tempo
decorrido.
Atualidade coisas/fatos/tendências que
caracterizam o momento que estamos vivendo.
A mesma análise podemos fazer com a
palavra Raridade, Raro -Qualidade de algo que não ocorre com frequência
+ Idade - o que tem a ver com o tempo decorrido.
Mas, vamos ao que interessa. Na tentativa de
entender os rumos que "as coisas" estão tomando no Brasil tento ver, da forma
mais isenta possível, as características deste nosso cotidiano. E então, fico
muito triste e até sem palavras para explicar tal fenômeno.
Entendo que o tipo de argumento, o tipo de
"arma" utilizada, ou seja, o modus operandi de um
grupo caracteriza este grupo. A característica aqui é a MENTIRA o que não é nada louvável. Chega a ser deplorável.
Partem de um pressuposto que existe uma
ameaça "comunista" (?!?!), que não se sustenta à mais reles analise
de fatos. Ou seja, partem de uma premissa mentirosa. Revelando assim uma estratégia
de convencimento de pessoas, que as transforma em fanáticas defensoras de uma
ameaça que não existe.
Não existe nada mais atual do que a disseminação de "Notícias Falsas" para a fixação de um ideário político em curso no Brasil.
Alimentam estas massas fanáticas com
noticiário falso sobre temas relacionados aos costumes incutindo como
verdadeiras, decisões políticas que nunca existiram, incitando reações
preconceituosas às minorias apoiando assim uma "guerra" à diversidade
de gênero, às religiões de matriz africana, aos índios, quilombolas, etc.
Aproveitando-se da campanha antiprogressista
que se instalou na grande mídia quando da instalação da Operação Lava jato,
atrelaram a corrupção endêmica instalada na cultura do país, como uma característica das
forças progressistas, esquecendo-se que o Brasil sempre sofreu com esta chaga
moral, desde o início da sua história.
Os casos recentes, tão sórdidos
quanto os casos de qualquer época, foram praticados não somente por elementos das forças progressistas,
mas por elementos de todas as agremiações partidárias e com a cumplicidade da mais alta elite
empresarial do país. Os mesmos que hoje financiam esta campanha difamatória das
agremiações progressistas, colocando-se sempre na surdina, como parece sugerir
os manuais da delinquência corporativa.
Em nenhum momento defendo que atos de
corrupção sejam defensáveis ou que possamos relativizá-los.
Corrupção é crime e como tal deve ser tratado
doa a quem doer.
Entretanto escolher pessoas para punir, de
qualquer maneira e pela cor partidária e negligenciar em relação aos
demais, dá a entender que existe um plano de ação definido. Principalmente
quando lembramos que estas mesmas forças progressistas representam para esta
turba, os tais "comunistas" citados acima.
Voltando a análise dos dias atuais percebe-se
com clareza, que a metodologia que vem sendo usada com estardalhaço, como citado, lastreia-se em pressupostos mentirosos, em disseminação de notícias
falsas, difundem uma reavaliação da história recente da ditadura que
experimentamos de recordação nefasta, apregoam o autoritarismo com
veemência e buscam com tamanha avidez o protagonismo, que suas bravatas
chegam a ser mais preponderantes que a própria realidade a que estamos
submetidos, com um estado de Pandemia declarado, como consequência da
proliferação de um vírus desconhecido com alto grau de contaminação e sem
protocolos de tratamento e cura conhecidos.
Em momentos assim o esperado é que o
sentimento geral fosse o de MEDO, no mínimo de precaução, de
cautela.
Não é o que está acontecendo, o grau de estúpidos absurdos praticados aumentam e
chegam a atentar de forma clara à inteligência de quem observa com isenção. Ultrapassam o nível da
estupidez. Não se preocupam com esta percepção, vivem uma
realidade paralela e estão paulatinamente mais agressivos quando já se vê nos
noticiários exemplos da histeria coletiva e da histeria individual que culminam inclusive
com a morte de inocentes como o ocorrido em Araucária, no Paraná onde uma
Fiscal de Caixas de um Supermercado foi baleada e faleceu em consequência de um destes
embates ideológicos.
A necessidade de se sobrepor a correntes de
ideias diferentes, e se impor lastreados em mentiras e falsidades, faz com que os convertidos a este
conjunto de ideias e atitudes estupidas passem por cima de tudo, até da realidade,
na tentativa de impor um novo status quo.
Eles não pensam, afinal, estão fanatizados.
Em momentos assim, de tamanha inconsistência, quando a realidade impõe uma parada para analisar a situação, a tendência natural é a perda de credibilidade com a perda de adeptos, pessoas que se reencontram com a realidade e se arrependem. Então surgem mais notícias falsas e cada vez mais fora de senso, além da geração de fatos inusitados e absurdos, para manter o protagonismo. É preciso manter a discussão ativa e o gado preso no transe "anticomunista".
Com a realidade se impondo com um quadro geral que espanta até o "militante" mais insensível, as pessoas voltam a pensar e percebem a distancia que estão do real, neste instante, o número de fanáticos tende a diminuir. O ruim é que a agressividade dos restantes ficará cada vez maior. Neste momento, a barbárie pode se instalar com consequências graves!
As instituições democráticas do Estado não podem ficar a mercê destas ondas de autoritarismo. Não podem tergiversar, precisam estar calçadas nas suas diretrizes base e agir como é esperado. O STF, o Congresso Nacional, as Entidades Representativas da Sociedade Civil, precisam se posicionar e cobrar o uso das prerrogativas constitucionais para estancar tal insurreição.

