sábado, 18 de abril de 2020

Sedimentando uma Visão

Música do Brasil: Como uma onda
Como já esperava acontecer, a pandemia, como uma onda de destruição avassaladora continua avançando e preenchendo com avidez os mais recônditos espaços físicos, mentais e espirituais como nunca dantes visto em nossa contemporaneidade. 
Onde alcança, e ainda não se conhece barreiras para contê-la, imediatamente se instalam, a dúvida, o medo, a ansiedade. Todas elas como consequência da única certeza que temos anotada - Este vírus é absolutamente danoso ao metabolismo humano, nanometricamente pequeno por isso invisível e ainda livre de qualquer barreira cientificamente comprovada de defesa adicional ao organismo humano. 
Uma vez contaminado, cada metabolismo, cada ser humano infectado terá como única defesa a robustez do seu sistema imunológico. Os protocolos de tratamento e cura estão sendo depurados pela competência acumulada na experiência dos nossos "Soldados da Saúde", nesta "Guerra" que se instalou. 
Da mesma forma que os guerreiros da estrutura de Saúde estão atuando no front contra a pandemia, é preciso que cada um de nós, munidos de nossas experiências sedimentadas ao longo da vida estabeleça uma forma, uma maneira de atacá-la e debelar a crise existencial que se instalou. 
Sabemos de antemão que esta capacidade de reflexão e analise não está presente em uma grande parte da população devido ao estado grave de vulnerabilidade que esta parte da nossa sociedade convive, como consequência da desigualdade social. Entretanto neste momento se faz mister que aqueles que detenham essa capacidade a exerça e a difusão dos resultados desta analise possam ser usadas como um protocolo de Resistência e Enfrentamento da crise por todos. 
A liderança e coordenação de enfrentamento de crises normalmente atribuída aos governantes, em conhecendo estas praticas da população, as efetivarão de maneira menos traumática do que foram as medidas emergenciais absolutamente necessárias adotadas. 

Assim, o primeiro ponto a atacar será o reconhecimento é a aceitação das verdades absolutas conhecidas, ainda que para algumas delas aqui anotadas, possa parecer desnecessário anotá-las, por serem óbvias.

1- Os recursos técnicos de Saúde disponíveis são radicalmente insuficientes e transformá-los em suficientes requer tempo mais longo do que temos. Recursos econômicos serão necessários para implementá-los

2- Urge que seja suavizada e distendida a velocidade de contaminação e para concretizar esta decisão só existe uma maneira de não se contaminar ou ao menos dificultar a contaminação que é o isolamento social com o confinamento em "quarentena" do número máximo de pessoas. 


Aqui aparece o primeiro grande problema quando sabemos que este isolamento com afastamento social é praticamente impossível de ser praticado nas periferias das grandes e medias cidades, locais que aglomeram a grande quantidade de brasileiros em condições de penúria que convivem no mais baixo grau de dignidade, sem água potável, sem coleta de esgoto ou seja na mais alta insalubridade. Condição esta que a nossa hipócrita e condescendente classe média aceita e até se aproveita para dali tirar os "servidores" nas condições de empregadas domesticas, trabalhadores sem qualificação, fornecedores de drogas, etc.   

Esta quarentena, apesar de ser o único meio de diminuir a velocidade de contaminação, gera um outro sério problema estrutural pois inviabiliza de forma radical o desenvolvimento normal da vida de todos e a primeira preocupação recai sobre a capacidade de sobrevivência das pessoas individualmente e da sociedade como um todo. A redução de faturamento, e a consequente provável e possível redução de salários gera em ambos os lados, patrão e empregados, a mesma sensação - MEDO!



Medo de quebrar/medo de perder o emprego. 



Além disso a redução de recursos sendo gerados faz reduzir consumo e o consequente recolhimento de impostos. 
Outras relações, por exemplo senhorio/inquilino. credor/devedor, fornecedor/usuário e tantas outras passam pelo mesmo dissabor.

 Recursos do Tesouro Nacional precisam ser usados, a fundo perdido, para minimizar estes efeitos. Uma turma grande de desassistidos, aqueles desempregados ou subempregados e moradores de rua que somam mais de 50 milhões de pessoas precisam de uma ação assistencial imediata para continuar vivendo. 
O Congresso Nacional ao aprovar o Estado de Calamidade de Saúde, permitiu que o Governo passe a encaminhar os projetos para utilização de recursos públicos do Tesouro Nacional. A sociedade precisa cobrar e demonstrar a necessidade de que estes projetos sejam encaminhados. 

3- A revisão do orçamento tanto no modo individual. familiar, quanto no contexto Nacional se faz urgente. O confinamento e suas consequências impõem uma adequação no uso de recursos principalmente quando se sabe que a geração de recursos e recolhimento de impostos estará reduzida.

4- Saúde Mental e Convivência Social passam a ter um valor muito maior. A difusão e o consumo de notícias sobre o andamento do combate à pandemia precisam ser feito de forma responsável e seria. Não é recomendado que as pessoas se deixem ser levadas pela avalanche de notícias. Isto tem um caráter depressivo forte e principalmente quando se sabe que por motivos ideológicos e/ou sensacionalistas muitas notícias são absolutamente desnecessárias principalmente quando são falsas. O consumo de notícias deve ser feito de modo disciplinado e buscando fontes oficiais.

5-Para aqueles que terão tempo extra o recomendado que dê uso a este tempo com tarefas edificantes como pesquisas, leitura de livros, cursos a distância, pequenas arrumações postergadas a muito tempo, reservar tempo para atenção de  filhos, esposas/esposos e pessoas que moram no mesmo endereço, ligações telefônicas para amigos e familiares, principalmente para aquelas pessoas que sabemos estar solitárias, marcar reuniões via vídeo chamada com turma de amigos, colegas e familiares.

Estas verdades acima derrubam as dúvidas e o reconhecimento e aceitação delas ajudam a diminuir ou controlar a ansiedade. 

Quanto ao medo inicial, vamos nos acostumando com a ideia de que estaremos no caminho certo quando todas as verdades acima acabarem reconhecidas e aceitas e então aquela sensação de medo ainda existente, deixa de assustar e passa a alimentar um sentimento de precaução o que nos dará tempo para analisar as possibilidades de vida no pós crise. 
Como diria Lulu Santos/Nelson Motta,
 Nada do que foi será do mesmo jeito que já foi um dia 
 Tudo passa, tudo sempre passará
 A vida vem em ondas como o mar 
 Sempre como uma onda no mar                                                 




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