Há poucos dias atrás
fui surpreendido por uma postagem nas redes sociais publicada por uma pessoa a
quem devoto uma grande admiração.
Nesta postagem, um
vídeo para ser exato, seguindo o padrão vigente, a pessoa expõe a sua lida
cotidiana como se estivesse numa conversa de “pé de ouvido” com a sua melhor
amiga, apresenta fatos que justificam a ausência das redes nas poucas horas
desde a última postagem no dia anterior.
Neste momento
enaltece o número elevado de seguidores justificando o crescimento deste
séquito como consequência da assistência que ela dedica à performance da página
de vendas de produtos femininos e faz um “mimo” aos seus seguidores
demonstrando que apesar de não os conhecer pessoalmente já compartilham de
sonhos, expectativas, histórias, soluções. Provavelmente outras informações
mais diversas.
Prossegue e vai além.
Com o rosto ainda “amassado” e a voz rouca de quem acabou de acordar ela relata
a noite insone que acabou de amargar com poucas horas de sono já próximo do
amanhecer e detona uma decisão.
Assume corrigir uma
"falha" com seus seguidores. Uma falha (que só ela até agora define
como falha) que diz respeito a um sério problema pessoal vivenciado em família
que ainda não foi compartilhado com a troupe.
Esta decisão foi
tomada no auge da ansiedade que este quadro de falta de sono normalmente propicia.
A falha é exatamente o "não compartilhamento" deste "problema pessoal" já equacionado, considerando que o método de solução aplicado, pode ajudar pessoas que passam pelo mesmo problema de forma consciente ou não, que passarão a ter um exemplo de solução convincente. Do tipo "experiência" vivenciada por "um(a) de nós"
#Empatia! #SensodeGrupo! #Transparência! #LivroAberto!
Nada contra as hastags acima e ao que elas representam como "ícones" de uma linha de comportamento esperada no trato interpessoal dentro das redes sociais.
Porquê da minha
surpresa então?
Precisamos entender
que as redes sociais, ainda que em se tratando de grupos familiares, são
ferramentas de uso "social" ou seja aberto, explicito ou seja deve
ser limitado a assuntos que qualquer que seja a interpretação da pessoa que
teve acesso à informação, não traga qualquer problema a quem a emitiu.
Precisamos colocar um
freio.
Nem tudo é
explicitável ou compartilhável
Existem
"coisas" que só nós mesmos sabemos e devem ser mantidas assim. Existem
"coisas" que precisam ser mantidas em cautela!
Precisamos saber
gerenciar os nossos segredos!!!
Além do mais, no caso
especifico, os problemas e as soluções aplicadas, envolvem outras pessoas e não
temos o direito de expô-las. Principalmente isto!
Pessoas ligadas em um
grupo que se formou em função de um interesse comercial, não
tem necessariamente que ter um nível de percepção de vida ou educação
similar, principalmente quando estamos falando de milhares de pessoas. Vamos
encontrar aí todo tipo de gente e assim, todo tipo de reação é possível.
Existem informações
muito intimas e que uma vez compartilhada pode gerar reações tão diversas que
não damos conta de quão agradáveis ou desagradáveis podem ser.
Manter CAUTELA é o
mais sensato.
Que o espirito de benevolência, empatia, bom-caratismo seja mantido? Sim. Sem problemas.
Mas tudo tem limite.
Expor-se desnecessariamente precisa ser evitado!
Veja abaixo, a
mensagem que enviei à pessoa que me fez ter esta reflexão! Não sei como esta
mensagem influenciou. Não tive retorno, mas também não vi nenhuma mensagem
compartilhada que lembre aquela decisão tomada após a noite insone!
"Meu Amor,
fico muito preocupado com esta sua intenção de relatar a sua experiência com
relacionamentos abusivos.
Que durante a sua
insônia você tenha deixado progredir o "Macro fluxo de pensamentos"
característico desta condição de expectativa pelo sono, tudo bem, isto é
natural e demonstra, a sua empatia com pessoas que passam de forma consciente
ou não pelo trauma de um relacionamento abusivo.
Entretanto neste
mesmo post você mencionou que hoje mais de 1000 pessoas te seguem e você mesmo
acrescentou que não conhece a maioria das pessoas. Não sei qual a narrativa que
você pretende usar e imagino, pelo que te conheço, que você terá o cuidado de
tratar as informações das identidades envolvidas de forma a não ferir
suscetibilidades.
Nos dias atuais,
exposições deste nível podem ser usadas de forma diferente daquela que motivou
a exposição dos fatos. Existem outras formas de você ajudar pessoas que vivem
com este tipo de problema. Da mesma forma que os AAA - Associação de Auxílio ao
Alcoólatra, existem Associações que tratam deste tema, por exemplo o grupo MADA
(https://grupomadabrasil.com.br/).
Fico muito preocupado
pois você hoje é uma pessoa pública pois atua na área de vendas e quando assim
é, não sabemos o tipo de pessoa que lidamos.
Desculpe-me a
intromissão estou tentando demonstrar a minha preocupação. Vou te pedir um
favor: Faz uma reflexão, agora de forma consciente pois à noite o fluxo de
pensamentos às vezes nos leva a decisões que até não gostaríamos de tomar. A
sua voz de recém acordada no post me fez pensar que possivelmente você ainda
estaria "dormindo" ou melhor a Alma ainda não tinha terminado de
fazer o Download. Um beijão! Te amo!"
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