Com
muita paciência, tateando em um mundo sem definições claras, vivendo uma
situação nunca antes experimentada fico aqui imaginando onde vamos chegar? Qual
o tamanho do estrago que essa situação vai nos lograr? Não tenho
como prever! A sensação que tenho é que ao final dessa temporada de incertezas,
chegaremos a uma condição de terra arrasada! Até cabe a inversão do
provérbio português!
"Nada“
como dantes no quartel de Abrantes!
A
necessidade de sobreviver nos fez recuar e guardarmo-nos em casa.
Em
quarentena consome-se recursos a exaustão. As estruturas materiais de
manutenção quedarão em bancarrota impondo às estruturas morais, cívicas,
políticas e até religiosas um abalo "sísmico" de consequências
inenarráveis.
Ninguém
sabe ao certo por quanto tempo estaremos vivendo reclusos, consumindo os nossos
escassos recursos. Tão pouco ninguém tem uma visão clara de como chegaremos lá
e naquele ponto, qual será o estrago que teremos que enfrentar.
Esta
reclusão absolutamente necessária, interfere na velocidade do processo de
contaminação da população pelo vírus diminuindo a quantidade de pessoas
contaminadas que precisarão dos recursos mantidos pelo SUS-Sistema Único de
Saúde, evitando assim que o sistema entre em colapso.
Em
outras palavras isto significa que o número de leitos com UTI e respiradores
disponíveis serão teoricamente, suficientes para quantidade de pessoas
contaminadas. Assim se espera.
É
muito bom lembrar que serviços de saúde universal como o nosso SUS, não existem
em todos os países. Alguns países onde vigora o conceito de Estado Mínimo, não
os têm.
Entende-se
dessa maneira que tudo isso tem um custo. Um custo de manutenção dessas pessoas
reclusas que estarão consumindo os seus recursos. Porém para aqueles que não
tem recursos garantidos, por exemplo os ambulantes, os autônomos, os moradores
de rua e tantas outras pessoas necessitadas, é mister que o Estado garanta a
sobrevivência desta população. Soma-se a esse número, aqueles que serão
demitidos em função da quarentena decretada. Estima-se algo em torno de 40
milhões de pessoas.
Para
este contingente de brasileiros dependentes, em função da quarentena, o
Congresso Nacional estipulou uma renda mínima de R$ 600 por pessoa não podendo
ultrapassar R$ 1.200 por residência. Podemos estimar uma média de R$1.000
para cada um daqueles 40 milhões e com isto fechar uma conta de R$40 bilhões
por mês.
Acrescidos
a este montante ainda temos os custos que virão das benesses outorgadas ao
sistema financeiro e também haveremos de conviver com uma redução do montante
arrecadado mensalmente como impostos também como função da redução do consumo
devido a esta mesma quarentena.
O
Tesouro Nacional tem como honrar esta conta e mais, ainda existe uma obrigação
moral de reverter para os brasileiros os montantes acumulados em impostos
arrecadados destes mesmos brasileiros numa hora que se vive uma calamidade
de saúde pública. Isto não se discute!
O que
precisa a ser discutido são os ajustes que serão necessários à lei orçamentária
avaliando-se de onde se retirar dinheiro e para onde direcionar este dinheiro.
Não é justo, nem cabível, que não se dê ênfase a uma política de assistência
social e também não podemos aceitar que as verbas para a ciência/educação sejam
reduzidas.
Mantendo-se
a prudência na análise e o realismo nas estimativas, podemos antever uma
situação de devastação, de Terra arrasada!
Esta
conclusão soa um tanto quanto catastrófica. Que a cautela em nossas
decisões de sobrevida na quarentena nos dê "folego" para enfrentar um
quadro absolutamente pessimista.
Estaremos
com um contingente de 40 a 60% da força de trabalho desempregada ou
subempregada. Vivendo num ambiente de baixo consumo como função da redução do
nível de emprego/consumo imposto pela quarentena.
O
comercio debilitado pela falta de consumo.
A
indústria forçada a trabalhar com alta ociosidade devido ao baixo
consumo.
A
agricultura obrigada a rever as suas metas também devido a redução das
exportações no início da retomada e uma possível explosão de demanda num
momento posterior que pode nos levar como produtor de alimentos a situações
perigosas no contexto de estratégias geopolíticas.
O
mundo estará vivendo a mais grave das recessões. O comercio internacional se
retrairá, maximizando os bens de sobrevivência notadamente Alimentos e
Saúde.
As
posições geopolíticas estarão abaladas.
O
Brasil inserido neste contexto, com um nível de desigualdades alarmante vai estar
absolutamente prestes a uma convulsão social.
Desta
vez sem um viés ideológico. Agora quem decide é o estado de miséria alastrado
em todo o espectro social. A fome e o desemprego serão os Grandes Generais
nesta guerra!
Resta-nos a introspecção, a reflexão, a meditação, a oração. Um mergulho em nossa mente e em nossa alma. Uma viagem de volta rumo a humildade. Uma revisão em nossos conceitos adequando-os quando necessário, aos valores éticos e morais tão desleixados pela "onda de progresso" tecnológico imposta desde a segunda metade do século passado que nos desumanizou e quase conseguiu nos robotizar.
Diz-se
que em situações de devastação logo após ao "salve-se quem puder"
instala-se o simplismo e a solidariedade social que são elementos básicos da Conscientização
de Classe.
Uma
Conscientização que se impôs pela dor!
Será
que afinal fundaremos a Nação Brasiliana?

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