domingo, 12 de abril de 2020

Terra Arrasada!


Com muita paciência, tateando em um mundo sem definições claras, vivendo uma situação nunca antes experimentada fico aqui imaginando onde vamos chegar? Qual o tamanho do estrago que essa situação vai nos lograr?   Não tenho como prever! A sensação que tenho é que ao final dessa temporada de incertezas, chegaremos a uma condição de terra arrasada! Até cabe a inversão do provérbio português!

"Nada“ como dantes no quartel de Abrantes!

A necessidade de sobreviver nos fez recuar e guardarmo-nos em casa.
Em quarentena consome-se recursos a exaustão. As estruturas materiais de manutenção quedarão em bancarrota impondo às estruturas morais, cívicas, políticas e até religiosas um abalo "sísmico" de consequências inenarráveis.

Ninguém sabe ao certo por quanto tempo estaremos vivendo reclusos, consumindo os nossos escassos recursos. Tão pouco ninguém tem uma visão clara de como chegaremos lá e naquele ponto, qual será o estrago que teremos que enfrentar.

Esta reclusão absolutamente necessária, interfere na velocidade do processo de contaminação da população pelo vírus diminuindo a quantidade de pessoas contaminadas que precisarão dos recursos mantidos pelo SUS-Sistema Único de Saúde, evitando assim que o sistema entre em colapso. 
Em outras palavras isto significa que o número de leitos com UTI e respiradores disponíveis serão teoricamente, suficientes para quantidade de pessoas contaminadas. Assim se espera.
É muito bom lembrar que serviços de saúde universal como o nosso SUS, não existem em todos os países. Alguns países onde vigora o conceito de Estado Mínimo, não os têm.

Entende-se dessa maneira que tudo isso tem um custo. Um custo de manutenção dessas pessoas reclusas que estarão consumindo os seus recursos. Porém para aqueles que não tem recursos garantidos, por exemplo os ambulantes, os autônomos, os moradores de rua e tantas outras pessoas necessitadas, é mister que o Estado garanta a sobrevivência desta população. Soma-se a esse número, aqueles que serão demitidos em função da quarentena decretada. Estima-se algo em torno de 40 milhões de pessoas.

Para este contingente de brasileiros dependentes, em função da quarentena, o Congresso Nacional estipulou uma renda mínima de R$ 600 por pessoa não podendo ultrapassar R$ 1.200 por residência.  Podemos estimar uma média de R$1.000 para cada um daqueles 40 milhões e com isto fechar uma conta de R$40 bilhões por mês.
Acrescidos a este montante ainda temos os custos que virão das benesses outorgadas ao sistema financeiro e também haveremos de conviver com uma redução do montante arrecadado mensalmente como impostos também como função da redução do consumo devido a esta mesma quarentena.
O Tesouro Nacional tem como honrar esta conta e mais, ainda existe uma obrigação moral de reverter para os brasileiros os montantes acumulados em impostos arrecadados destes mesmos brasileiros numa hora que se vive uma calamidade de saúde pública. Isto não se discute!

O que precisa a ser discutido são os ajustes que serão necessários à lei orçamentária avaliando-se de onde se retirar dinheiro e para onde direcionar este dinheiro. Não é justo, nem cabível, que não se dê ênfase a uma política de assistência social e também não podemos aceitar que as verbas para a ciência/educação sejam reduzidas.

Mantendo-se a prudência na análise e o realismo nas estimativas, podemos antever uma situação de devastação, de Terra arrasada! 
Esta conclusão soa um tanto quanto catastrófica.  Que a cautela em nossas decisões de sobrevida na quarentena nos dê "folego" para enfrentar um quadro absolutamente pessimista. 

Estaremos com um contingente de 40 a 60% da força de trabalho desempregada ou subempregada. Vivendo num ambiente de baixo consumo como função da redução do nível de emprego/consumo imposto pela quarentena. 


O comercio debilitado pela falta de consumo.
A indústria forçada a trabalhar com alta ociosidade devido ao baixo consumo. 
A agricultura obrigada a rever as suas metas também devido a redução das exportações no início da retomada e uma possível explosão de demanda num momento posterior que pode nos levar como produtor de alimentos a situações perigosas no contexto de estratégias geopolíticas.

O mundo estará vivendo a mais grave das recessões. O comercio internacional se retrairá, maximizando os bens de sobrevivência notadamente Alimentos e Saúde.  
As posições geopolíticas estarão abaladas. 
O Brasil inserido neste contexto, com um nível de desigualdades alarmante vai estar absolutamente prestes a uma convulsão social. 
Desta vez sem um viés ideológico. Agora quem decide é o estado de miséria alastrado em todo o espectro social. A fome e o desemprego serão os Grandes Generais nesta guerra!

Resta-nos a introspecção, a reflexão, a meditação, a oração. Um mergulho em nossa mente e em nossa alma. Uma viagem de volta rumo a humildade. Uma revisão em nossos conceitos adequando-os quando necessário, aos valores éticos e morais tão desleixados pela "onda de progresso" tecnológico imposta desde a segunda metade do século passado que nos desumanizou e quase conseguiu nos robotizar.
  
Diz-se que em situações de devastação logo após ao "salve-se quem puder" instala-se o simplismo e a solidariedade social que são elementos básicos da Conscientização de Classe. 
Uma Conscientização que se impôs pela dor!


Será que afinal fundaremos a Nação Brasiliana? 







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