O surgimento espontâneo de canais de difusão dos ideais progressistas, resultou na formação de uma "bolha progressista" que se concentrou em torno destes canais. Trabalharam com afinco no combate à disseminação de uma realidade paralela baseada em mentiras travestidas em "notícia", sobejamente difundidas por organizações criminosas da ultradireita.
Interessante também é verificar que estes "canais de resistência" se estruturaram e cresceram e em alguns casos até ganharam uma formatação jornalística empresarial. Sem duvidas posso elencar os casos de sucesso como o ICL Noticias, provavelmente o mais empresarialmente estruturado, Brasil 247, Revista Forum, TVT, a Midia Ninja. Algumas iniciativas relevantes ocorreram com os canais individuais que primam por manter uma estrutura organizada, regular e combativa como é o caso dos Canal do José, Cynara Menezes com o Brocou na Internet, Kennedy Alencar, Hildegard Angel, Thiago dos Reis, Ronny Teles, Desmascarando, Blog do Noblat, Podcast do Conde, e outros tantos.
Também precisamos citar o trabalho realizado por Felipe Netto e o Janones principalmente no período eleitoral.
Da mesma forma precisamos citar o trabalho profissional de jornalistas conceituados que se engajaram na defesa da Democracia. Reinaldo Azevedo, considerado pelos progressistas como um costumaz anti Petista, que liderou um trabalho de defesa do devido processo legal desde os primórdios da Força Tarefa da Lava Jato, quando então ele já vislumbrava o objetivo politico da operação que propiciou a chegada de um psicopata à presidência da Republica. Posteriormente se empenhou na luta contra tentativa de golpe dos baderneiros nazifascistas aquartelados nos "jardins dos QGs" ao longo do Brasil.
Percebe-se assim que uma reação espontânea à barbárie, foi necessária e muito trabalho, empenho e dedicação caracterizou esta "batalha".
Todo este trabalho, em adição à campanha eleitoral dos partidos progressistas, resultou vitorioso. Conseguiu-se manter a Democracia, conseguiu-se impor a Verdade sobre a mentira, resultando daí o inicio do trabalho de trazer o Brasil de "volta aos trilhos".
Começamos a "respirar um ar mais puro", apesar do ataque diário dos "analistas" da imprensa que empreendem uma nítida campanha predatória a partir de uma pauta econômica, ignorando completamente os primeiros encaminhamentos no processo de reconstrução da normalidade democrática, como por exemplo a defesa do povo Yanomami contra o garimpo ilegal, retomada do Programa Minha Casa Minha Vida, retomada do Programa Bolsa Familia, reestruturação dos programas do Ministério da Saude e dos programas do Ministério da Educação além do processo de "desinfecção ideológica" de toda a maquina pública.
O relatório da transição elencou as mais estapafúrdias discrepâncias em relação ao minimamente razoável e embasou as providencias preliminares necessárias no âmbito orçamentário e também no âmbito politico/administrativo. O novo governo, no geral, soube arregimentar personalidades competentes e alinhadas com o perfil progressista, mesmo tendo que atender as demandas da frente ampla que se formou no segundo turno da campanha eleitoral.
Como era de se esperar o governo passa então a "pautar" o dia a dia.
As controvérsias são esperadas e até salutares quando isentas do veneno golpista que impregna as "analises técnicas" dos jornalistas(?) a soldo.
Na realidade a ultradireita não se dá por vencida e continua na sua tentativa de voltar a "pautar" suas teses mentirosas alimentando a realidade paralela de fanáticos que ainda não acordaram do transe que o governo anterior os colocou.
Numa analise mais fria e absolutamente isenta fica claro que o surgimento da mídia combativa e independente, citada acima, foi uma primeira reação. Isto demonstra que os partidos progressistas, de forma clara, se "ausentaram" de suas bases dando condições ao crescimento de um ideário direitista que se baseia numa falsa interpretação/adequação ao conservadorismo religioso nas camadas mais vulneráveis da população. Abalados pela campanha midiática difamatória financiada pela ultradireita a partir de 2013/2014 e alimentada pelas ações da famigerada Lava a Jato, os partidos progressistas ficaram atônitos observando o crescimento da difusão de "noticias" falsas eivadas de mentiras e muito ódio.
Considerando que a sanha conspiratória dos "donos do dinheiro" não arrefece, principalmente quando se descobrem sob o poder de um humanista na Presidencia da Republica. Considerando ainda que já detêm a mídia corporativa sob domínio, não hesitarão em empreender novos ataques em todos os flancos.
Em realidade eles têm um medo mortal da tomada de consciência da população e da disseminação de um pensamento critico, pois sabem que uma população ilustrada com analises fidedignas da condição de vida, num contexto de desigualdade social, jamais permitirá uma nova experiencia com um fascista na Presidencia da Republica.
Posto assim, fica óbvio o nosso desafio. O trabalho será árduo!
Sem me arvorar a condição de especialista em comunicação social, avalio dois caminhos seguros, serios e legais a trilhar.
O primeiro e mais importante caminho é o retorno dos partidos progressistas às bases. Urge que militantes comecem a atuar nas bases populares e passem a arregimentar a população mais vulnerável com analises baseadas em fatos verdadeiros. O desenvolvimento do pensamento crítico e o hábito da leitura consequente geram uma consciência de classe que é a grande arma contra a persistente tentativa de controle da ultradireita sobre o que o povo vê, lê e pensa (Por isso a revolta que o fascismo desenvolve contra a Educação e a Cultura). Seminários, Congressos, reuniões de pequenos comitês de bairros, comitês de fabrica ou mesmo os modelos de resistência do MST e do MTST, são ferramentas que os partidos progressistas conhecem e dominam. O objetivo é estar próximo ao povo e exercer empatia na solução dos reais problemas que esta população enfrenta com ações efetivas como as Cozinhas Solidárias, os Cursinhos Pré-Vestibular sociais, os mutirões, as cooperativas, etc.
O segundo caminho passa por uma ação de governo na expectativa de estruturar uma Organização Jornalística de Estado, forte e independente, que se imponha como uma fonte agradável de analise do noticiário cotidiano, que se consolide como uma indutora de pensamento critico, que proporcione debates incisivos, que se abstenha de promover publicidade politica, que se atenha à verdade dos fatos e que primordialmente se contraponha à manipulação midiática na difusão das pautas da grande mídia comprometida. Algo como a BBC de Londres onde o contraditório está presente sempre. Onde o jornalista é responsável pela verificação da veracidade antes da veiculação de uma afirmação,
“Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Todo o resto é publicidade”. A frase é atribuída a George Orwell, célebre escritor e jornalista que marcou a história do Reino Unido com seus artigos e crônicas perspicazes.
Aqui faço um paralelo com o que aconteceu espontaneamente no surgimento das estruturas independentes da mídia alternativa citada acima. É Preciso consolidar e aumentar o alcance desta iniciativa é preciso dar acesso a um numero maior de pessoas e favorecer o surgimento do interesse por um pensamento crítico.
A estrutura oficial do Ministério das Comunicações, emissoras de radio e tv universitárias, precisam saber usar esta experiencia exitosa e de forma independente arregimentar essa turma que se empenha em dar legitimidade ao processo de crescimento da cidadania. A luta contra a dominação do povo pela ultradireita precisa ser tratada como prioridade básica e uma atividade de Estado.
Não consegui identificar o autor do texto abaixo que colhi numa postagem da internet. Provavelmente faz parte de alguma crônica sobre a historia do período pós abolição da escravatura. Este texto sintetiza com bastante clareza a ação de domínio exercida até os dias atuais pelos representantes da classe dominante, os "donos do dinheiro".
"Havia uma regra muito reveladora: os escravos deviam continuar analfabetos. ' É por isso os senhores devem controlar o que os escravos ouvem, vêm e pensam.... É por que a leitura e o pensamento crítico são perigosos, na verdade subversivos, numa sociedade injusta."
João Lacerda