sexta-feira, 29 de agosto de 2025

Progressismo e Conservadorismo

Não tenho a menor dificuldade em entender o meu próprio posicionamento progressista. Assim sendo,estou absolutamente confortável em conviver com as expectativas que vislumbro de ajustamento civilizatório e humanitário. A convivência civilizada pressupõe o conceito do "bem comum" universal. 
O ser humano, por definição, precisa dispor de elementos básicos para existir: 
Oxigênio, para respirar; 
Moradia, para se proteger; 
Alimentação, para sobre-existir; 
Ancestralidade, para desenvolver, baseado em experiências, métodos de sobrevivência; 
Comunidade, para consolidar força e conhecimento, vencer desafios naturais e alcançar o progresso individual e coletivo. 

O desempenho pessoal em desenvolver métodos diferenciados que aceleram o progresso gera merecimento quando disponibilizado para comunidade. Este mérito gera liderança e esta liderança se desdobra em influencia a qual precisa ser transformada em ação política que beneficie a toda comunidade. 

 "Utopia progressista" refere-se a um sonho ou visão de uma sociedade futura idealmente mais perfeita, que busca superar os problemas atuais através do progresso constante em áreas como economia, sociedade e política. Esse conceito une a ideia de uma sociedade alternativa (utopia) com a crença no progresso contínuo (progressismo), que frequentemente se manifesta em movimentos que buscam transformações sociais profundas e a melhoria das condições de vida.

 Trazendo estes conceitos para a nossa realidade, a utopia progressista persegue o estabelecimento de um estado básico de dignidade humana onde os extremos sejam evitados e o bem comum incentivado.

A miséria, entendida como a falta generalizada de recursos e oportunidades bem como o acumulo exacerbado de riquezas são ambos igualmente danosos e portando devem ser evitados. 

O sucesso individual não pode ser demonizado do mesmo modo que a miséria não pode ser normalizada. 

A função social do acumulo de riqueza é exigida pelo pagamento de impostos que garantem a manutenção de uma linha básica de dignidade para toda a comunidade. Isto significa garantir um nível civilizado de coexistência digna e humanitária onde todos tenham direito garantido à moradia, alimentação, saúde, educação, trabalho e segurança. 

 Em linhas gerais o entendimento acima descrito é a base de um posicionamento civilizatório que preconiza uma coexistência digna e humanitária na comunidade. Algumas vezes este posicionamento progressista é rotulado de socialista, mas na realidade é somente uma percepção socialmente democrata que impõe que a desigualdade, seja qual for, precisa ser tratada e trazida para níveis socialmente aceitáveis. Não se trata de assistencialismo populista, mas de garantia de implantação do bem estar coletivo, através de políticas públicas de inclusão social, até o alcance da plenitude dos direitos fundamentais, na velocidade de implementação regulada pela disponibilidade de recursos.

Confesso que não consigo entender e daí, aceitar o posicionamento dos que se auto intitulam Conservadores, numa sociedade tão desigual como a brasileira. Considerando que por definição o posicionamento politico dito "Conservador" significa:     

"Politicamente, apregoam valorizar e defender a manutenção de valores sociais e tradições estabelecidas, como a família, a religião e os costumes, opondo-se a mudanças sociais rápidas ou rupturas drásticas. Tendem a advogar por uma mudança social gradual e cautelosa, que preserve a estabilidade das instituições e da ordem social."

A titulo de salvaguardar o possível debate que se propõe, reconheço que ambos os campos apresentam nuances que apresentam variações do mais filosófico ao mais fanático. Prefiro manter uma visão mais generalista e homogênea afastando veementemente os descalabros do fanatismo característicos, presentes em ambas as linhas de pensamento.  

Considerando que o principal mote da Utopia Progressista seja o estabelecimento de um modo civilizado de bem estar coletivo, não vejo qualquer antagonismo com “valorizar e defender a manutenção de valores sociais e tradições estabelecidas, como a família, a religião e os costumes”, entretanto fica evidente que o método de aplicação de ajustes necessários, "opondo-se a mudanças sociais rápidas ou rupturas drásticas" caracteriza a insensibilidade na efetivação das correções devidas. 
"Tendem a advogar por uma mudança social gradual e cautelosa, que preserve a estabilidade das instituições e da ordem social.

 Quem tem FOME tem pressa! - A manutenção da desigualdade fomenta a violência!

Quando o diagnostico está definido urge que o remédio seja aplicado, ajustado à capacidade de tratamento. Normalizar o mal estar é sentenciar o colapso. Como diria Hannah Arendt seria "Banalizar o mal"

Romantizar a favela, adjetivar como empreendorismo o regime de semiescravidão dos entregadores de aplicativos é parte do processo de normalização da insensibilidade social.

No Brasil, ser conservador significa, essencialmente, ter uma inclinação para a preservação da conjuntura e dos valores estabelecidos, cujos resultados práticos, são a perpetuação desta conjuntura indigna e precária.  Ao opor-se a mudanças mais profundas e defender uma evolução social lenta e controlada, acaba por normalizar e tolerar passivamente realidades como as favelas, a fome, a violência, e tantas outras mazelas, ainda que essa não seja a intenção declarada. Essa postura, na prática, aproxima-se de um reacionarismo moralista e autoritário que, ao idealizar o passado, impede os avanços civilizatórios urgentes.





  

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