Roteiro do Encontro #1: "Homem que se cuida não perde o posto"
Público-alvo: Homens da comunidade (convidados pelos Agentes de Saúde e pela Médica). Duração: 60 a 90 minutos. Ambiente: Sala de reuniões da UBS ou um espaço circular (evitar formato sala de aula; preferir roda de conversa). Facilitador Principal: Voluntário. Autoridade Presente: A Médica (Gerente do Projeto).
A Pauta (Minuto a Minuto)
1. Abertura Institucional (10 min) - A cargo da Médica (Gerente)
Objetivo: Validar o grupo perante a comunidade.
Ação: A médica dá as boas-vindas, explica que a UBS quer ouvir mais os homens e apresenta o voluntário não como um "professor", mas como um vizinho, um usuário do sistema que tem uma visão interessante para compartilhar.
Fala sugerida (Médica): "Este espaço é de vocês. Queremos que a saúde do homem vá além de tratar doença. Por isso, convidei o voluntário, que mora aqui na região, para liderar essa conversa."
2. O "Contando histórias" de Conexão (15 min) - A cargo do Voluntário Facilitador
Objetivo: Gerar identificação e quebrar o gelo. Usar a sinceridade.
Tática: Comece falando da sua estranheza inicial. Não comece falando de doenças.
Roteiro de fala:
Facilitador conta que veio do sistema privado ("Eu pagava plano de saúde e achava que isso resolvia tudo").
A surpresa com a aposentadoria/mudança de vida.
O choque positivo com a "Clínica da Família" (Facilitador elogia a equipe presente gera empatia imediata).
O Pulo do Gato: "No privado, eu era cliente e exigia. Aqui, eu entendi que sou parte de uma comunidade e preciso participar."
3. Dinâmica: O "Consumidor" vs. O "Parceiro" (20 min)
Objetivo: Introduzir a mudança de mentalidade de forma leve.
Dinâmica:
Perguntar ao grupo: "Qual a maior diferença que vocês sentem entre ser atendido num consultório particular (ou o que veem na TV) e aqui na UBS?"
Deixar eles reclamarem (vai acontecer). Acolha as reclamações (fila, demora).
Intervenção do Facilitador: Usar a analogia da Engrenagem. "No particular, a gente paga para trocarem a peça quando quebra. Aqui no SUS, a ideia é a manutenção preventiva para a peça nunca quebrar. Se a gente só vier quando a 'peça quebrar' (emergência), o sistema trava."
4. Definição da Identidade do Grupo (15 min)
Objetivo: Responder às perguntas ("Por que um grupo de homens?").
Ação: Construção coletiva.
Provocação: "Dizem que homem só vai ao médico quando a mulher obriga ou quando a dor é insuportável. Isso é verdade? Por que a gente faz isso?"
Isso abre espaço para falar de medos, tabus e da cultura machista de "ser forte", mas sem usar termos acadêmicos.
5. Encerramento e Compromisso (10 min)
Objetivo: Garantir o retorno no próximo encontro.
Ação:
Definir o tema do próximo encontro (Ex: "Pressão Alta: O inimigo silencioso que derruba o homem forte").
Café/Lanche: Momento crucial de socialização informal.
Indicadores de sucesso do Projeto Piloto
Precisamos medir se funcionou. Usando métricas simples:
Taxa de Retenção: Quantos homens do Encontro 1 voltaram no Encontro 2?
Índice de Participação: Quantos falaram durante a roda vs. quantos ficaram mudos?
Conversão Clínica: (Métrica para a Médica acompanhar) Desses homens, quantos marcaram exames preventivos ou regularizaram receitas após a conversa?
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