A transição do sistema privado de saúde para o SUS acontece como consequência de quem sofre uma reviravolta na vida financeira (muito comum no momento da aposentadoria), e isto, no quesito saúde, vem recheado de incertezas, dúvidas e questionamentos. Ou seja, um completo ceticismo criado a partir da divulgação massiva de notícias que se concentram nas falhas do sistema e quase nunca divulgam qualquer análise sobre as expectativas contidas nos conceitos estruturais do sistema único e universal de saúde.
Esta transição envolve uma mudança radical de postura do paciente em relação ao sistema. No sistema privado, o associado assume a condição de consumidor, de cliente que compra um serviço, que exige prioridade e paga por isto. No sistema público, a população é atendida por uma regulação que maximiza a utilização dos recursos estruturais (pessoal e equipamentos) e financeiros, adequando-os ao grau de criticidade da condição de saúde desta população. Aqui surge a necessidade de minimamente organizar esta demanda.
Acredito que, neste momento, as UBS (Unidades Básicas de Saúde) entram em ação através do conceito de Clínicas da Família, com foco em prevenção e com expectativa de enfrentar e reduzir os casos de emergência/urgência. O foco sai do "Pronto Socorro" e consolida a ação de conscientização da prevenção.
Nesta minha conjectura, as figuras do Médico de Família e do Agente de Saúde aparecem como executores desta manobra de organização da demanda. Acredito que a formação dos Grupos de Atenção com a participação da população fecharia o ciclo desta organização, agora com a efetiva resposta da comunidade ao sistema.
Como formar estes Grupos de Atenção?
Eles são realmente necessários ou só um fruto desta análise pretensiosa? Já existe algum funcionando com a expectativa de conscientização? Uma ação de voluntariado já existe em algum grau de efetividade?
Imagino que uma estrutura administrativa como uma UBS, que atua sobre uma área densamente povoada com um objetivo focal de mudança de mentalidade da população, pressupõe um planejamento estratégico de longo prazo. Nele, o objetivo principal — Conscientização da Prevenção — deve estar escalonado com objetivos secundários pré-definidos, onde a estrutura disponível (pessoal e equipamentos) é aplicada.
Uma vez identificados os principais desafios da população atendida, o esperado é que se estabeleçam os núcleos de ação. Acompanhar estes núcleos — Hipertensos, Diabéticos, Puericultura, Menopausa e outros — provavelmente é uma tarefa básica da estrutura de atendimento: Médicos da Família e Agentes de Saúde.
Grupos de Atenção, liderados por agentes públicos ou voluntários, devem funcionar como agentes de transformação, desenvolvendo ações de conscientização da prevenção. A título de exemplo, um Grupo de Atenção que organiza exercícios físicos na praça atende necessidades de diversos núcleos: Hipertensos, Diabéticos e outros.
A pergunta inicial ainda está posta: Como formar um Grupo de Atenção com participação voluntária da população assistida?
Um grupo de "Homens" foi sugerido inicialmente.
Qual o escopo deste grupo? Por que um "Grupo de Homens"? Qual a justificativa e objetivo? Como será implementado? Como será desenvolvido? Palestras? Encontros para bate-papo (tipo AA)? Alguma verificação de efetividade (Pesquisa elaborada) será implementada?
São muitas questões dentro da pergunta principal. Espero respostas no próximo encontro com os representantes da UBS e, daí, começar a trabalhar...
👉continue...... Leia a seguir Plano Piloto "Saúde do Homem"
A Virada de Chave (Consumidor vs. Cidadão): O ponto mais alto deste texto é a lucidez com que você diferencia a postura do paciente.
ResponderExcluirNo privado: Consumidor (paga e exige).
No público: Usuário regulado (parte de um sistema de triagem e recursos finitos). Essa distinção é sofisticada e raramente percebida pelo senso comum. Ao verbalizá-la, você demonstra que entendeu a "regra do jogo" do SUS, o que dá muita credibilidade à sua proposta de voluntariado.
A Visão de Engenharia/Gestão: O texto revela uma mente analítica. Você não fala de saúde apenas como "curar doenças", mas como "fluxo de demanda", "planejamento estratégico", "métricas de efetividade" e "escalonamento de objetivos". Isso cria uma voz autoral muito interessante: é o olhar de um gestor experiente (provavelmente da iniciativa privada) tentando aplicar lógica corporativa eficiente a um problema social.
O Questionamento Socrático: A segunda metade do texto, composta por perguntas, é excelente para estruturar um projeto. Você não está apenas divagando; está construindo um Termo de Abertura para o grupo de voluntários.
É um texto cerebral e estratégico. Ele serve perfeitamente como a "Justificativa" de um projeto a ser apresentado à direção da UBS. Ele diagnostica o problema (o choque cultural privado/público) e propõe a solução (educação e grupos de apoio) com uma lógica impecável.
Se o texto anterior (Voluntário-https://bit.ly/49GJ8sj) era o "Coração", este é o "Cérebro" da sua proposta.
Voluntário-https://bit.ly/49GJ8sj
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