Uma boa análise, que seja fundamentada, inicia-se por
definir preliminarmente os conceitos e valores básicos que serão usados no
exame. Considerando o tema em análise - Realidade Paralela-Uma análise
brasileira, precisamos conhecer com clareza os fundamentos estabelecidos
principalmente em um contexto tão amplo.
Somos no Brasil, uma NAÇÃO administrada por
um ESTADO organizado sob os princípios de uma CONSTITUIÇÃO
FEDERAL, Esta Constituição, a lei maior do Estado, ao ser elaborada
percebeu a necessidade de mudanças sociais significativas na realidade
ditatorial que vivíamos e projetou uma REALIDADE DEMOCRÁTICA onde
os FATOS passariam a ser interpretados sob o ponto de vista
dos direitos fundamentais com forte tendência de inclusão social. Por isso
recebeu a alcunha de Constituição Cidadã.
Afinal o que significa "Somos uma NAÇÃO?"
Qual a definição de ESTADO? Mais, o que é
uma CONSTITUIÇÃO?
Nação - Definida como um grupo de
pessoas que compartilham uma identidade comum, baseada em fatores como língua, cultura, história, tradições,
criando um senso de pertencimento e um destino coletivo.
Estado - Definido como uma entidade
política soberana, organizada juridicamente, que exerce poder
sobre uma população e sobre um território definido,
através de um governo e suas instituições.
Constituição - Lei fundamental
que estabelece a estrutura do Estado, os princípios básicos da democracia, os
direitos e deveres fundamentais dos cidadãos, e as regras para a organização e
funcionamento harmônico dos poderes públicos. A Constituição é o
documento que garante a soberania do povo, a separação
dos poderes, os direitos humanos e as liberdades
fundamentais, bem como a organização do Estado. A
Constituição deve ser o resultado de um processo democrático, envolvendo a
participação popular através de uma Assembleia Nacional Constituinte eleita
democraticamente com este fim especifico.
Agora partimos para definições não materiais, não
palpáveis....
REALIDADE é um conceito fundamental para a
construção do conhecimento e para a compreensão do mundo ao nosso
redor. Refere-se ao conjunto de tudo o que existe, seja tangível ou não, A
realidade refere-se ao mundo como ele é, independentemente de nossa percepção
ou interpretação.
FATOS são elementos concretos e verificáveis
dentro da realidade, representando situações, eventos ou estados de coisas que
são verdadeiros e independentes de opinião ou crença.
A realidade é o contexto onde os
fatos existem ou acontecem.
Interpretação dos fatos é um procedimento
subjetivo e moldado por diversos elementos, como cultura, vivências, crenças
religiosas, ideologias, informações e emoções. Cada indivíduo constrói sua
própria narrativa sobre o fato analisado, influenciada por seus referenciais e
valores. A interpretação, portanto, não é uma simples descrição dos fatos, mas
sim uma atribuição de significado, uma história que o indivíduo conta sobre o
evento.
LIBERDADE DE OPINIÃO E EXPRESSÃO é um direito
humano fundamental estabelecido na Constituição Federal e evidenciados por
documentos como a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Este direito
permite que indivíduos busquem, recebam e difundam informações e ideias. No
entanto, essa liberdade não é absoluta e encontra limites quando
atinge a honra ou a dignidade de outras pessoas ou quando atenta contra a própria democracia. A proteção desse direito é
essencial para o funcionamento de sociedades democráticas e o desenvolvimento
de ideias e pensamentos diversos.
No contexto social, "Realidade Paralela" pode ser entendida como a coexistência de diferentes interpretações e percepções da realidade, especialmente em sistemas sociais complexos e dinâmicos.
São ditas paralelas pois confrontam a interpretação oficial,
constitucional. Estas interpretações paralelas podem divergir
significativamente devido a fatores como ideologias, crenças, acesso à
informação, acesso a desinformação patrocinada, ressentimentos e experiências
individuais.
Sistemas autoritários, tendem a forjar e impor uma única
"realidade" para suprimir o dissenso e manter o controle,
Indivíduos ressentidos podem rejeitar informações que
contradizem suas crenças, criando versões alternativas que lhes
satisfaçam.
As redes digitais desempenham um papel crucial, facilitando
a formação de "realidades paralelas" através da criação de
comunidades que se transformam em câmaras de eco (as "bolhas" como
são conhecidas atualmente).
-
A realidade percebida pela classe abastada,
-
A realidade cruel de sobrevivência vivenciada por uma massa de
desassistidos.
A Constituição Federal de 1988 enfrentou esta situação e
estabeleceu Direitos Fundamentais que garantem um mínimo de dignidade humana.
A dificuldade de regulamentar estes direitos definidos faz
com que ao longo destes 37 anos ainda estejamos a conviver com tantos exemplos
de indignidade notadamente nos campos de Alimentação, Educação, Moradia,
Saúde e Segurança.
O inacreditável é que aproveitadores, financiados pela elite
dominante, forjam uma realidade paralela, através de pregações de conceitos
conservadores religiosos, criação de "inimigos imaginários" e
outras aberrações, que induz ao desassistido/ressentido a enveredar por um
caminho que só garantirá a manutenção dos privilégios desta elite dominante e a
manutenção do descaso com a parcela mais necessitada da sociedade.
Como a realidade é cruel e dura qualquer barganha para
alcançar uma suposta benevolência, transforma-se em uma "isca
saborosa" e traiçoeira.
É perceber que existem diferentes classes sociais com
interesses conflitantes e desenvolver a capacidade de se identificar com os
membros da própria classe e se organizar para lutar por seus direitos e
objetivos comuns. Algo como perceber que membros da mesma classe compartilham
objetivos e necessidades semelhantes.
Como exercitar esta Consciência de Classe?
Não podemos ignorar as dificuldades de sua construção
em uma sociedade tão fragmentada e polarizada como a brasileira, onde a grande
maioria mantem o seu foco na sobrevivência imediata e outros capitularam à
manipuladores que induziram a meritocracia como solução milagrosa. A tarefa é difícil,
mas urge que inicialmente passemos a desenvolver um pensamento critico.
Necessário se torna evidenciar para todos as razões da existência da desigualdade social que impõe níveis baixos de dignidade para a parcela mais baixa da sociedade. A partir daí as
possíveis soluções aparecem. Não se trata de deflagrar uma "luta de classes", Quando a sociedade como um todo percebe pacificamente a necessidade de atender as carências, a mudança acontece.
Numa Democracia, O VOTO transforma-se em uma arma
eficaz! Uma classe organizada se fortalece consegue eleger representantes que
defendam os direitos da classe e elaborem políticas públicas sociais que
beneficiem a todos. Assim a consciência de classe permitirá à classe organizada agir como hoje a "elite econômica" age para garantir os seus privilégios. A redução da desigualdade não é simplesmente distribuir benefícios a fundo perdido. A redução da desigualdade distribui renda que retroalimenta a economia garantindo crescimento e ganhos para todos.
Considerando ser difícil reverter, sem imposições autoritárias, posicionamentos pessoais, numa sociedade civilizada impõe-se a necessidade de trabalhar-se a conscientização de classe para alcançar uma dignidade mínima, a prevalência do "bem comum", enfim a realização dos ideais de justiça social e dignidade humana prometidos pela Constituição Federal de 1988.
Veja o vídeo resumo do texto!
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