Considerando que os mais ricos estão plenamente alinhados com conservação dos seus privilégios, a campanha de direita extremista parte para cima dos evangélicos neo pentecostais que são eleitoralmente mais numerosos e de "fácil" conversão. A campanha extremista utiliza de estratégias fascistas para alinhá-los.
Não se envergonham de usar mentiras, as mais escabrosas, principalmente quando projetam o que poderá ser usado contra os evangélicos caso a esquerda vença a eleição.
Tentam alinhar a imagem da esquerda ao "comunismo", ao crime organizado, às praticas perversas de crimes sexuais, etc., falam também no fechamento de igrejas, em perseguição de religiosos e por aí vai.
Sabem que nada disso consegue "colar" na imagem da esquerda porque a história recente demonstra de forma clara e convincente que tudo isto é falso e mentiroso.
O que a campanha direitista consegue sim demonstrar para a sociedade como um todo, é que tratam este grupo de brasileiros, os "evangélicos" como se fosse um bando de imbecis. Um bando de idiotas que repetem, sem analisar, palavras de ordem, que até contradizem os ensinamentos bíblicos que originalmente serviram de base à formação da igreja. Ainda assim insistem.
A bem da verdade, a propria formação e posterior proliferação destas igrejas ditas neo pentecostais precisa de uma analise mais profunda.
Quando analisamos a realidade brasileira que dede o descobrimento estabeleceu a máxima feudal "senhores e vassalos" com a ajuda dos jesuítas, onde o "senhor" é o dono do poder, é rico e tem privilégios (inclusive a proteção divina) e aos trabalhadores, dito "servos" cabia o trabalho. O "bom senhor" provinha a sobrevivência, ainda que miserável, aos "servos". No inicio a catequese dos Indios não rendeu os frutos esperados por razões óbvias, - O apego destes à liberdade da mata virgem.
Recorreu-se à importação de escravos negros da Africa e então consolidou-se a máxima colonial de "senhores e escravos", com a introdução da figura do "feitor" que era o responsável por fazer o escravo trabalhar.
Estabeleceu-se então as classes ditas "sociais":
- O "senhor" dono de tudo (inclusive das benesses divinas);
- Os "feitores" ligados ao "senhor" normalmente europeus que foram degradados do reino, por algum crime cometido;
- E finalmente os escravos que nem eram considerados seres humanos e sim força de trabalho.
Este quadro permaneceu assim estruturado por 350 anos quando então o fim da escravidão foi decretada em maio de1889.
O "caldo cultural" que saiu de todo este tempo onde a miscigenação derivada do entrelaçamento das classes sociais ficou caracterizado por particularidades bem brasileiras.
Os "senhores" continuam sendo os donos do poder e se empenham em determinar os rumos sem perder a empáfia.
Os "feitores" transmutaram-se em "quase ricos" e encetam uma luta continua em busca de privilégios utilizando de meios lícitos ou não para alcançar a pretendida semelhança inalcançável aos "fidalgos". Talvez possamos relacioná-los como sendo atualmente os conhecidos membros da classe media. A turma dos altos salários!
Os "escravos" agora libertos viraram os "trabalhadores" e foram jogados à propria sorte. A luta pela sobrevivência tornou-se a mais "sangrenta" possível. Instalou-se o vale tudo na relação capital-trabalho onde qualquer tipo de relação era possível.
A violência e a miséria se instalaram, os antigos "capitães do Mato" passaram a dar a "segurança" e a Igreja alinhada com os "senhores" tentava a contenção da insatisfação do povo através da fé indutora de padrões de costumes.
Esta situação perdurou até meados do século 20 quando se estabeleceu a chamada CLT-Consolidação das Leis do Trabalho que trouxe a criação da Carteira Profissional, os Sindicatos e tantas outras regras. O Estado passa a condição de mediador entre o Capital (os ricos) e o trabalho (a plebe).
Este é um marco civilizatório mas não podemos esquecer que foi estabelecido a partir do modelo italiano fascista de então.
Muitas adequações foram sendo criadas ao longo do tempo mas a desigualdade social estabelecida desde o inicio manteve-se como principal objetivo da separação de classes, hipocritamente camuflada pelos "notáveis" funcionários do Estado.
Somente com a ascensão do Partido dos Trabalhadores ao poder as mudanças foram sendo direcionadas, ainda que de forma lenta, para a definição de uma linha de base para a Dignidade Humana onde a desigualdade social passou a ser combatida e passou-se a difundir um conceito de Bem Comum.
Num ambiente assim, tão conturbado, tão carente, na década de 1970, baseados na chamada Teologia da Prosperidade criada nos EUA no século XIX, alguns aproveitadores aqui no Brasil passaram a usar mais uma vez a fé para obterem ganhos pessoais e "venderem" a ideia que estavam "cuidando" do povo pobre, preto e periférico abandonados pelo Estado.
Criaram então as igrejas neo pentecostais e passaram a se denominar de Evangélicos. Talvez para se diferenciarem dos Protestantes tradicionais que são tratados de crentes.
A Teoria da Prosperidade ensina que qualquer sofrimento do cristão indica falta de fé. A prosperidade material, a plena saúde, física, emocional e espiritual, são a marca do cristão cheio de fé.
Complementou-se aqui, que a principal demonstração de fé seria a doação para a igreja de parte de algo que já está escasso na vida do adepto brasileiro. O dinheiro.
A conceituação bíblica do Dizimo sugere a devolução compulsória de 10% dos ganhos do fiel para custear o processo de divulgação do Evangelho.
A deturpação do conceito do Dízimo, estabeleceu a disseminação de um tipo de "barganha", onde o adepto, agora chamado de "evangélico", passa a "dar para receber", similar a pratica de "venda de indulgências" da idade média. Adicionalmente o fiel passa a se auto policiar para não contrariar o impostor que se auto denomina "pastor", "bispo", "apostolo", etc. Acredita-se em tudo que é veiculado a partir do púlpito.
Deve existir Igrejas que congreguem de forma seria. Entretanto, existem exemplos, em videos na internet, onde se vê as mais absurdas demonstração de fidelização fanática. Pessoas com este grau de fanatismo, se sujeitam a tudo, votar em um candidato que os trata como imbecis, nada significa se o "pastor" continua a enaltecer o candidato e usar a estrutura de devoção da igreja para campanha politica eleitoral. A mentira eleitoral, toma o lugar do ensinamento pastoral a partir da Biblia.
De verdade, a propria condição estabelecida pela formação de um grupo que se auto defende, que se auto ajuda, já dá uma sensação de segurança espiritual e provavelmente segurança material.
Prosperidade mesmo quem conhece são os "pastores" que acumulam milhões em dinheiro vivo isento de impostos, propriedades, etc., etc.
Parafraseando Castro Alves, no poema Navio Negreiro, repito
"Senhor Deus dos desgraçados! Dizei-me vós, Senhor Deus! Se é loucura... se é verdade Tanto horror perante os céus?!"

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