Concordo plenamente com o resultado
do julgamento realizado pelo STF das A D C (Analise Declaratória de
Constitucionalidade) que analisava a constitucionalidade da prisão em segunda
instancia.
Confesso não ter a mínima
competência para avaliar o mérito da questão pois não estou preparado para tal.
Entretanto como leigo, me parece bastante claro que o artigo do Código Penal reproduz a
clausula da Constituição na sua essência, não deixando qualquer margem de dúvidas.
O placar final no julgamento, indica que mesmos os
mais preparados para tal analise tiveram dificuldade neste trabalho. A
diversidade de opiniões é uma das salvaguardas da Democracia. Muito bom que
seja assim!
Institucionalmente
decisão tomada pela Suprema Corte não se discute, aplica-se!
Com relação aos pontos de vista de
alguns que não gostaram da decisão final do julgamento e apregoam o "caos”,
tenho alguma discordância, em relação aos fatos consequentes que elencam e também com
relação as soluções revanchistas que apresentam.
- Serão postos em liberdade todos
os que ainda têm recursos não analisados. Isto e constitucional!
- Facínoras não serão alcançados
pois embora ainda possam ter recursos para serem analisados, são reconhecidamente
elementos nocivos à comunidade. A prisão Preventiva deve ser aplicada.
Pessoas preparadas,
equilibradas não podem abrir mão de refletir sobre alguns aspectos
característicos da nossa sociedade como um todo.
O primeiro ponto a refletir nos
leva à hipocrisia dos discursos moralistas!
-Culturalmente aceita-se como
"natural" os pequenos deslizes morais, pequenas corrupções cometidas
e relativizadas com a desfaçatez do "jeitinho brasileiro", a compra
de CD piratas; pagamento de consultas medicas sem N F, por um preço menor; a
"cervejinha" do guarda; "gatos" de energia elétrica ou
fornecimento de água, e outras tantas modalidades. Ou seja, a sociedade se
acostumou e não se culpa dos seus deslizes (não podemos generalizar mas uma
grande parte da população convive confortavelmente nesta condição, alguns até se vangloriam).
O segundo ponto de reflexão nos
traz à tona o odioso método de barganha da Classe Media
-A classe média está acostumada aos
privilégios que os seus salários garantem, num processo de ascensão às benesses
características da chamada "nata da sociedade" ou "elite
econômica".
Esta classe média é pródiga na elaboração de "atalhos" para se desvencilhar da precariedade característica dos serviços públicos. Assim, ao invés de cobrar as melhorias necessárias na saúde, educação e segurança, dentre outros, fomentam os famigerados planos de saúde, incentivam o fortalecimento das escolas particulares, armam-se de blindados, grades e cercas elétricas para fugir de seus "irmãos" menos favorecidos das classes C, D e E. Na maioria negros, iletrados, famintos e induzidos pelo assédio da mídia consumista.
Esta classe média é pródiga na elaboração de "atalhos" para se desvencilhar da precariedade característica dos serviços públicos. Assim, ao invés de cobrar as melhorias necessárias na saúde, educação e segurança, dentre outros, fomentam os famigerados planos de saúde, incentivam o fortalecimento das escolas particulares, armam-se de blindados, grades e cercas elétricas para fugir de seus "irmãos" menos favorecidos das classes C, D e E. Na maioria negros, iletrados, famintos e induzidos pelo assédio da mídia consumista.
Vivemos uma sociedade sem o
conceito de Bem-Estar Comum e acostumados à luta insana por privilégios.
Ambientes tensos assim nos levam sempre à um estado constante de insegurança,
desconfiança, de falta de moral cidadã e injustiça social. Em suma na condição
de "vale tudo".
- A maioria para sobreviver e uma minoria para se
defender!
Assim, jamais seremos uma nação!
Voltando à decisão do STF, o que
acho é que precisamos "voltar à carga" sobre os nossos
representantes no Congresso e fazê-los lembrar que estão ali para nos
representar e não para se locupletarem. Estão ali para fazer valer a
Constituição que a rigor é o código de ética que rege este país tão brutalmente
desigual.
Acelerar os processos jurídicos,
como foi feito no mensalão que durou apenas 6 meses e todos que deveriam ser
presos foram presos, isto sim é uma providencia constitucional desejada e possível.
Manter a prisão em segunda
instancia é mais um atalho que a classe média usava para se livrar do
inconveniente de conviver com desafetos. Notadamente os que formam em outra
linha de pensamento político. Porque os facínoras e perigosos estarão
recolhidos por força de outro instrumento constitucional que é a Prisão
Preventiva.
Não tenho nenhuma preferência
partidária, mas não consigo conviver com este ódio que ficou disseminado nos
últimos meses.
A minha obstinação é lutar contra a
desigualdade na distribuição de bens e renda providenciando aos brasileiros de
todas as linhagens o direito à dignidade que sempre foi negada ou negligenciada aos da parte de
baixo da pirâmide social. E isto se faz com emprego e renda, e políticas de
distribuição de renda e inclusão social e não com "inimigos
políticos" presos de forma inconstitucional.
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