sexta-feira, 25 de outubro de 2019

A lei do Gérson e o Jeitinho Brasileiro!

"Vale observar que o termo cultura é muito amplo e reúne comportamentos, símbolos e práticas sociais. Trata-se, portanto, de um conjunto de fatores que compõem uma sociedade, como por exemplo, saberes, crenças, costumes e tradições de determinado povo." Prof Daniela Diana (Site Toda Matéria)

Um costume deveras cultuado em nosso dia a dia é o tal "jeitinho brasileiro" que é saudado como uma característica da criatividade do nosso povo. 
Também não é novidade alguma que sob o sistema de distribuição de riqueza e renda a que estamos submetidos, a necessidade de sobrevivência, num patamar de dignidade, minimo que seja, nos impõe a uma luta cotidiana expressa numa frase pronta muito comum - "matar um leão por dia". Considerando que a necessidade de sair vencedor nesta luta diária, pois afinal - "precisamos levar vantagem em tudo, certo?", frase esta que sintetiza a famigerada Lei do Gérson,  nos faz recorrer a uma de nossas principais "armas" na convivência em um mundo tão desigual, o tal do "jeitinho brasileiro".
Vamos sintetizar: Em um ambiente desigual e hostil, com a necessidade de sobreviver a qualquer custo, mesmo que seja o método do "esperto" levar vantagem sobre o "otário", só um hábito criativo nos levará ao sucesso, ainda que trapaceando. Ou seja aplicando o "jeitinho brasileiro".Fica mais simples explicar. 
Tenho certeza que a maioria das pessoas que lerem este texto ficarão indignadas com a crueldade desta síntese. É dura e cruel mas é a mais perfeita realidade. E pior, isto virou um hábito tão natural que é praticado indistintamente em todos os níveis sociais. Estamos todos reféns da necessidade de "vencer na vida" e com o consumismo desenfreado que as mídias nos impõe, a luta obstinada por privilégios nos leva naturalmente a aceitar os pequenos deslizes éticos de maneira a não nos culpar por isto. Não tenho a pretensão de justificar a conduta eticamente abominável da nossa criatividade.
Mas o que se observa, no contexto do falso principio de que - os fins justificam os meios, estamos relativizando condutas não eticamente corretas. Softwares crackeados, CD piratas, prestação de serviços sem Notas Fiscais e outros tantos exemplos que se transformaram em normais e corriqueiros.
Esta semana, encontrei nas redes sociais, uma postagem que dizia:

               "Ética é o que você faz quando está todo mundo olhando!
                Aquilo que você pratica quando está só com a sua consciência é Caráter!"




A grande maioria não se preocupa com o bem comum! Não se preocupa em lutar para conseguir e  espalhar os benefícios para todos. O Bem Estar comum, não é uma preocupação minima.  A tônica é o salve-se quem puder! a pratica é -"farinha pouca, meu pirão primeiro". A motivação é buscar privilégios a qualquer custo. Inclusive usando os métodos que podem nos macular como cidadãos. . 
Estas práticas se disseminaram com tamanha repercussão que quem prega algo contrário corre o risco de ser mal visto na comunidade.
Entretanto o que se observa com bastante clareza é o distanciamento entre as classes. Apesar do número de pobres e miseráveis ter voltado a crescer, as agruras que caracterizam a sobrevivência desta parcela significativa da população são absolutamente ignoradas pela população cada vez menor da classe média. A realidade de mais da metade da população é invisível para o grupo mais privilegiado da população. Esta "sociedade" impõe a formação de guetos de miséria e os empurra para a periferia. E esta pratica não é nova.
Nos anos 70, com o crescimento demográfico (eramos 90 milhões e hoje 210 milhões) e com a falta de investimentos em saúde e educação, os serviços públicos perderam a qualidade. O que fez a classe média ávida por privilégios e pródiga em soluções milagrosas? incentivou a criação dos famigerados Planos de Saúde e o crescimento das Escolas Particulares. Ao invés de lutar por melhorias nos serviços públicos, criou-se um atalho para os que podiam pagar. Ao povo, o que lhes couber
Nesta luta desigual, o que resta aos mais pobres é aprofundar a crise e continuar no limbo da truculência e na selvageria da corrupção entre iguais, consolidando a "lei do Gérson" e aprimorando o modo mais nefasto do "jeitinho brasileiro".
Aos que se mantem éticos, sérios e honestos, apesar do ambiente perverso, resta uma indignação avassaladora e uma quase certeza que tempos piores virão. Triste Brasil! 





Um comentário:

  1. Quando será que nos compenetraremos que consolidar uma Nação pressupõe sedimentar o BEM ESTAR PUBLICO como objetivo minimo de todos. Já experimentamos isto algumas vezes - Diretas Já, Eleição de Trancredo, e principalmente sempre que o Senna participava de uma corrida ou a seleção participa de uma Copa do Mundo.

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