quinta-feira, 23 de março de 2017

Lendo a nossa historia (recente) & Vislumbrando um futuro

Desde meados de 2013, quando de forma absolutamente independente e sob a bandeira da indignação, as passeatas de protesto iniciaram um período de plena expectativa de mudanças!!!

Na época, de alguma forma, ficou claro que:

A INDIGNAÇÃO como bandeira requeria à época, sobretudo a punição severa aos malfeitores que se encastelavam nos poderes, minando os recursos que garantiriam a justiça social, a ordem e o progresso.
O que se pleiteava era Partidos fortes! E não Partidos de aluguel!
O que se pleiteava era Planos Diretores para Educação, Saúde e Desenvolvimento social!
O que se pleiteava era Água e Esgoto, Energia Elétrica e Mobilidade Urbana para todos!
O que se pleiteava era dar um basta à impunidade, tratar com seriedade a coisa pública.

A INDEPENDÊNCIA em relação às agremiações partidárias, entidades classistas ou qualquer outra entidade representativa, evidenciava  o processo espontâneo das manifestações, anunciando um saudável "grito de liberdade", como que deixando à vista, que o "povo" sabe o que quer e sabe o que pode!  

O Eco que vinha das ruas tinha as cores da expectativa de MUDANÇAS. 

"MUDANÇA" tinha ali uma característica definitiva de manutenção do que de bom a sociedade já tinha alcançado.
"MUDANÇA" tinha uma característica consciente de denuncia, indignação e esperança na luta para corrigir o que estava errado.
"ERRADO"  já era a constatação da falta de dignidade a que a nossa sociedade está submetida. 
Evidenciada pela falta de qualidade nos serviços oferecidos a todos e  principalmente aos menos favorecidos. 
Evidenciada pela falta de qualidade dos serviços de Saúde, de Educação, de Moradia, 
Evidenciada pela falta de oportunidades de crescimento, percebida como uma imposição de um sistema de "castas" à brasileira.
Evidenciada pela concentração de Renda desumana, como uma consequência de um modelo politico hipócrita e corrupto, garantido pelo senso comum de impunidade.  

Já se falava da necessidade de se combater a corrupção, eliminando-se de forma definitiva a hipocrisia dos processos políticos. Também já se fazia evidente que as conquistas desejadas estariam alicerçadas em princípios morais firmes baseados em transparência e licitude
A "voz das ruas" ecoou e fez vibrar discussões acirradas nos mais diversos rincões da nossa sociedade. Desde os gabinetes elegantes e climatizados às mesas de botequim, passando pelos salões de barbeiros e corredores de universidades. Desde os "covis" às salas de redação da mídia impressa e televisionada. Em todos os cantos de cada canto deste país.
Cada  grupo reagiu de forma e expectativa característica. Os baderneiros de plantão misturavam-se e aproveitaram a movimentação, 
Muitos tentaram colorir as vibrações conforme a cor da sua bandeira, políticos nos mais diversos matizes tentaram usufruir daquela força que vinha daquela vibração das ruas. Não lograram êxito pois, imiscíveis, tinham objetivos organicamente diferentes.

          A "Voz das Ruas" vinha do POVO. 

Uma proposta de plebiscito sugerida foi eliminada, Políticos não querem ouvir a "Voz da Rua", eles têm medo!  As únicas consequências de aprimoramento dos processos efetivadas, como consequência das manifestações de meados de 2013, foram a garantia de independência constitucional do MPF e da Policia Federal e a instituição da Delação Premiada como instrumento de apoio à investigação. (Concomitantemente, Iniciava-se em Curitiba, a partir de uma investigação corriqueira de lavagem de dinheiro nas contas de um doleiro, A Operação LAVA JATO, )

Os poderosos, a nossa "casta" dominante ficaram apavorados - O POVO estava se mostrando!!! Um plano de resistência tinha que ser urdido!!!  A eleição presidencial de 2014 seria usada. 

          Não deu certo!

Em entrevista à Folha de São Paulo, Luiz Carlos Bresser, Ministro de Sarney e de FHC falou: (Veja trecho da entrevista.)


Folha: A burguesia voltou a se unificar.E achou que podia ganhar a eleição do ano passado?
LCB: Sim. Aí surgiu um fenômeno que eu nunca tinha visto no Brasil. De repente, vi um ódio coletivo da classe alta, dos ricos, contra um partido e uma presidente.Não era preocupação ou medo. Era ódio. Esse ódio decorreu do fato de se ter um governo, pela primeira vez, que é de centro-esquerda e que se conservou de esquerda.Fez compromissos, mas não se entregou.Continua defendendo os pobres contra os ricos.O ódio decorre do fato de que o governo revelou uma preferência forte e clara pelos trabalhadores e pelos pobres. Não deu à classe rica, aos rentistas.
Folha: Mas os rentistas tiveram bons ganhos com Lula e Dilma, não?
LCB: Não. Com Dilma, a taxa de juros tinha caído para 2%. Isso, mais o mau resultado econômico, a inflação e o mensalão, articularam a direita. Nos dois últimos anos da Dilma, a luta de classes voltou com força. Não por parte dos trabalhadores, mas por parte da burguesia que está infeliz."

            Fizeram o Impeachment!!!


Perdendo as eleições e com o processo de investigação da Operação Lava Jato aprofundando-se no lamaçal que se evidenciava na maior empresa brasileira, a PETROBRAS, os ânimos se alteraram. Eles sabiam que seriam alcançados!
A corrupção passou a ser divulgada massivamente pela imprensa marrom notadamente a Platinada, subliminarmente como uma "invenção petista", Essa ideia não iria resistir por muito tempo! As investigações da Operação LAVA JATO iriam demonstrar um mar de lama maior ainda. Não iria sobrar ninguém! A Tensão era grande!!
Os Poderosos então determinaram:  A operação LAVA JATO não podia continuar!, Algo tinha que ser feito! Precisavam "tomar as rédeas" 
- Aprofundaram a crise econômica, não deixaram passar nenhuma medida de ajuste fiscal (o Ministro da Fazenda, desistiu e saiu).
- O desemprego minou a força daqueles que iam às ruas em junho de 2013. - O POVO estava   dominado! 
- Com uma propaganda tão fortemente massiva,  beirando os métodos nazistas de imposição de um   pensamento,  


A lama da corrupção atiçada pelo "ventilador" que se transformou as investigações da Operação LAVA JATO, começava a ser espalhada sobre a  cúpula do poder.
- Os dois presidentes do Legislativo de então, já eram réus, Um dos quais, hoje, já  está preso. 
- O atual presidente e seus ministros citados em delações. 
- O Supremo Tribunal, deixando de ser prioritariamente uma corte de salva guarda da Constituição, travestido em corte penal. 
- Decisão do Supremo, ainda que em bases liminares desrespeitadas. O Caos se instalou! 
Os presídios de Curitiba e a Penitenciaria de Bangu no Rio de Janeiro transformaram-se na ABU DHABI brasileiras (nunca no Brasil, a concentração de milionários/m2 foi tão grande em presídios).

O novo governo mostrava-se  decisivamente dissociado do POVO e alinhado com os Poderosos que tramaram o Golpe decidiram então: 

As "reformas" terão que ser aprovadas, esse é o mote político para demonstrar determinação de trabalho e força política.

                     Esse é o plano!!

A Reforma Trabalhista e a Reforma da Previdência foram utilizadas como "carro chefe" das reformas, inventou-se um deficit para a previdência social, (que é dita pelos auditores fiscais da Receita como superavitária), adicionando à previdência um deficit que não lhe cabe, o custo social da assistência aos trabalhadores rurais imposto pela Constituição de 88 que prevê o financiamento deste custo, instituindo taxas e impostos (Cofins, Finsocial, etc), 

Em ambos os casos, as reformas propostas são simplesmente arrocho sobre os trabalhadores. Não se fala em eliminação de privilégios, não se em fala redução de privilégios da maquina administrativa, não se fala em eficiência do sistema de arrecadação  executando cobrança de dividas milionárias dos 500 maiores devedores, que ultrapassam centenas de bilhões de reais. 
Sempre é mais fácil passar para o POVO a responsabilidade de "pagar a conta".

Mais recentemente, como resultado das delações da Operação LAVA JATO, apregoa-se a necessidade da reforma política, na realidade eles precisam mesmo é de uma reforma eleitoral que tem como principal objetivo criar uma forma de reeleição daqueles que precisam de se manterem sob a blindagem do Foro Privilegiado. A eleição sob Listas fechadas onde o eleitor votaria em uma lista que seria definida pelos partidos, tirando assim a possibilidade de o eleitor punir de forma individualizada os corruptos, não escolhendo os políticos citados em delações, ou mesmo aqueles que já tenham alcançado a condição de réu na época das eleições. Tentam à todo custo, de forma célere, alem da Reforma política (Eleitoreira) a anistia do Caixa 2, descriminalizando a sonegação fiscal.
Em suma, dissociados do POVO, legislam em causa própria, tentando garantir a continuidade dos seus privilégios e os privilégios dos poderosos que os mantém.

Mais uma vez fica caracterizado:
- A indignação do POVO é evidente
- Nada de bom se pode esperar do Congresso, estão preocupados com a auto preservação e seguros  de que a falta de estrutura da Justiça lhes garantem a impunidade com a prescrição dos delitos.  
- O risco de a Mídia Platinada impor mais uma vez um “salvador” da pátria, cresce a cada instante.
- A Mídia (notadamente a Platinada) insiste em valorizar os resultados pífios da recuperação   econômica, e para defender a necessidade da  Reforma da Previdência, inicia a trazer "exemplos" de  trabalhadores com mais de 60 anos ainda na ativa (não   deve demorar a escalar os seus atores  sessentões para as   tramas novelísticas).
- Não existe nenhum Líder que fale a "Língua do Povo"
- O POVO, depauperado pelo desemprego e estupefato pela perda dos direitos recentemente ganhos, tornou-se uma massa acuada, endividada e inadimplente e luta por sobrevivência, e assim não vai às ruas.
- As centrais sindicais são as únicas entidades a se mobilizarem, às vezes de forma patética!

A "VOZ DAS RUAS" PRECISA VOLTAR A ECOAR!!!!!!!  (Esta é a visão de futuro mais distante a que me permito chegar)

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