Volta e meia sinto vontade de escrever sobre posições que me
deixam preocupado em relação ao destino que as coisas estão tomando no meu
cotidiano, é quando percebo que me posicionar me dá a sensação de que ao menos
fico livre da autoacusação de desleixo com a vida.
Não preciso dizer quanto me tocou o momento de
protestos que ora vivemos no Brasil. Como uma avalanche, o sentimento de que algo
muito forte se montou como consequência da insatisfação e ainda mais forte, a
indignação em relação à realidade que convivemos no nosso país. E isto se deu
como que numa constatação de alguma forma compartilhada na qual, uma a uma as
pessoas se deram conta que um número cada vez maior de brasileiros percebia o
mesmo mal estar.
Nos primeiros instantes convivo com uma sensação prazerosa da
força que brota desde os tempos da juventude quando constatávamos que a união
em torno de uma bandeira, de uma palavra de ordem, nos fazia sentir heróis! Ainda
que no anonimato das passeatas. Um grupo
de heróis que se juntavam, na certeza de que seriamos ouvidos, percebidos e
quem sabe respeitados pela força da bandeira defendida. Uma verdade
inquestionável que precisava ser confirmada. A força estava na união de todos.
Assim foi e assim ainda hoje é. Tão bom que permaneço jovem ainda por tanto
tempo.
Tento garimpar nas manifestações, qual é a bandeira ou quais
são as palavras de ordem. Encontro tão somente “gatilhos” ou “estopins”.
Percebe-se enfim a estupefação das policias, da mídia televisiva e dos
políticos encastelados no Olimpo do poder. Ninguém sabe o que está acontecendo.
Estupefatos, ninguém sabe como agir. Alguns reagem violentamente em relação a
quebra da ordem, outros menos preparados aproveitam e tentam espalhar a baderna
e se comprazem com isto. Aproveitadores na mídia e na política seja situação ou
oposição começam a agir numa expectativa tão vândala quanto a dos baderneiros,
de tentar usar a força do movimento em prol dos seus projetos particulares e
alguns, notadamente a mídia, tentam apressadamente difundir um modelo que
caracteriza uma “orquestração” com o objetivo nefasto de levar vantagens
partidárias e eleitorais aos seus aliados. Tentam dirigir benefícios a
inocentes úteis nas estatísticas eleitorais, tentam induzir novas verdades.
Tentam de forma surpreendentemente covarde e perigosa estabelecer o caos.
A INDIGNAÇÃO é a BANDEIRA. O objetivo é manter firme o Estado
de Direito. O que se exige é respeito e dignidade na forma de Saúde, Educação,
Mobilidade e Dignidade Urbana, Moradia.....
A INDIGNAÇÃO como
bandeira requer, sobretudo punição severa aos malfeitores que se encastelam nos
poderes, seja qual for a cor partidária, minando os recursos que garantiriam a
justiça social, a ordem e o progresso.
O que se pleiteia são Partidos fortes! E não Partidos de
aluguel!
O que se pleiteia são Planos Diretores para Educação, Saúde e
Desenvolvimento social!
O que se pleiteia é Água e Esgoto, Energia Elétrica e
Mobilidade Urbana para todos!
O que se pleiteia é dar um basta à impunidade, tratar com
seriedade a coisa pública.
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